quarta-feira, fevereiro 29, 2012

Sucesso vs Insucesso

Eventualmente sem sentido, sem argumentos, e sem qualquer interesse, apraz, no entanto, lançar mais um articulado par o meio da arena enófila, que tanto aprecia modelos inalteráveis.
Fala-se, exaustivamente, de sucesso e de insucesso, de preferências, de escolhas e tendências. Discute-se, e sem razões lúcidas, sobre os motivos que levam alguém beber determinado vinho ou optar por uma região em vez de outra. Azares da vida? Falta de boa critica? Riscos mal medidos? As causas, por muito que custe, estão quase sempre a nascente, dentro de casa, fazendo lembrar a velha máxima: dormindo com o inimigo.


Esquecemo-nos que há um punhado de gente que guerreou, desenhando um caminho longo, despido de qualquer preconceito e livre de conspirações irreais. Deitando para o lado, torneando literalmente os emaranhados legais, as redes de influência com malha mais ou menos nacional, mais ou menos regional ou mais ou menos local. Miraram o mundo e viram que a realidade, defronte dos seus olhos, era bem maior, grande e sem barreiras. Sem a fantasmagórica teoria dos nós e dos outros.
Faz confusão, à falta de palavra mais dura, que o êxito, em Portugal, seja olhado de soslaio, de lado e de forma desprezível. É-se amado fora de casa. Estranho canto ibérico.

domingo, fevereiro 26, 2012

CH

Não, não será tecido qualquer comentário a determinado enclave federativo europeu, entremeado pela Itália, pela França, pela Alemanha, pela Áustria e pelo principado de Liechtenstein, denominado por Confederação Suiça. Na verdade, teríamos tema para conversa alongada.


CH, by Chocapalha, é mais um exemplo, bem esgalhado por sinal,  como se pode ter, ainda, imaginação nos rótulos, tornando-os num verdadeiro chamariz. Depois aliado a um excelente vinho, como é este, temos uma feliz combinação.


E tendo como ponto de partida uma simples garrafa de vinho, poder-se-á arguir sobre diversos assuntos. Eles surgirão naturalmente. É pena que seja infrequente a aliança entre os bons rótulos e bons vinhos.

sexta-feira, fevereiro 24, 2012

A personalidade dos vinhos vs personalidade dos enólogos

Em jeito de mezinha capaz de fazer esquecer amarguras que vão tombando sobre a mona, porque não aligeiramos os tãos sisudos temas da enófilia? Será a personalidade, de um qualquer enólogo, variável capaz de influenciar o estilo de um vinho?

Conseguiremos ver as virtudes ou defeitos, falamos de homens e mulheres, nos vinhos que se bebem ou, para não colocar de fora sujeitos mais refinados, que se provam? Urbano vs rural, jovem vs idoso, mulher vs homem, conversador vs salamurdo. Mais ou menos cosmopolita, mais ou menos viajado, mais ou menos rude, mais ou menos vaidoso, mais ou menos indeciso. 


Um rol de opções, a serem reproduzidas num vinho, poderiam ou podem dar azo a noites e tardes bem simpáticas. Interpretar a individualidade de cada sujeito, através de uma simples taça de vinho branco, tinto ou espumante, seria pura sessão de psicanálise. Quem nunca foi confrontado com os seguintes dilemas:  Nem parece que foi feito por fulano ou beltrano. Ou ainda: Quem ele quer enganar? :)

terça-feira, fevereiro 21, 2012

Corujão, fim de capítulo

Ao transitar, em tarde de Inverno, pelas vinhas da Quinta do Corujão, sentiu-se e pressentiu-se o encerrar de um ciclo. Estava, ou está, definitivamente concluída parte importante da vida destes bacelos. 


Bordejavam sobre as cercanias ares de transformação, de mudança.


O rebuliço tem sido evidente, constante e ininterrupto. De queixo sobre os blocos de granito, mal amanhados, saltavam dúvidas sem resposta, tal puto a pensar no que vai avistando. O que se anda a tramar? 


Pelos portões, armados com ferro enferrujado, tinham  entrado três tipos vindos de outros maciços.  Os das bandas escrutinarão, por certo e de soslaio, a investida.

segunda-feira, fevereiro 20, 2012

Chão da Quinta

No Dão, e sob a mão enológica da Vines&Wines, é-se confrontado numa esquina de um simples evento regional, local e encalhado no meio do maciço central, com determinado vinho. Afiançaram que o lançamento estava a ser efectuado por esta altura. 


Para o caso em questão, não interessam, de todo, comentários de conteúdo normalizado, pincelados com linguagem pseudo técnica e recheados de adjectivos comuns.  


Sendo assim, basta registar o facto que o Dão tem mais um produtor engarrafador, Chão de São Francisco, e como expectável, aconselho que o procurem, o provem, o consumam. Depois,  é claro, digam de vossa justiça.

quinta-feira, fevereiro 16, 2012

Cenários de uma realidade actual

Ficam registados alguns cenários relativos a uma realidade por onde se movem diversos, e cada vez mais, enófilos.


Ainda assim, num acto de pura simbose, e sem qualquer preconceito por parte de cada utilizador, surgem lado a lado acções aparentemente contraditórias entre si.


A tecnologia, de bolso, do século XXI, a prosaica caneta e papel em comunhão com o vinho, elemento catalisador de ideias, debates, paixões e desamores.


O vinho é, nos tempos que vão decorrendo, debatido com um simples toque, com uma simples tecla. Num ápice, inferior a qualquer segundo, sai um comentário, uma nota de prova, um pedido ou conselho para a parte mais recôndita deste mundo. A resposta salta para a nossa frente na mesma velocidade com saiu. Tempo real.

quarta-feira, fevereiro 15, 2012

Fiuza 2011

O post é na sua essência puro acto de divulgação, despido de qualquer consideração de outro âmbito. 


São dois vinhos da Colheita de 2011.


Práticos, de abordagem imediata e destinados a consumo muito despreocupado. E sem mais deleites resta aconselhar a prova.


Post Scriptum: Os vinhos foram oferecidos pelo Produtor.

domingo, fevereiro 12, 2012

O Dão, a Bairrada, os Vinhos Velhos e a Diferença

Esta quadratura de palavras, nomes ou termos, transformou-se, quase que num ápice, no novo graal para pretensos enófilos enfastiados de vinhos desenhados segundo os preceitos da enólogia moderna. Cumpre-se, deste modo, a velha norma que espelha, e bem, a idiossincrasia do povo português. A verdade do passado é no presente inverdade. O que era abominado e categorizado como produto démodé, sem estilo, é por estes dias coqueluche, sinal de evolução, de amadurecimento, sendo fundamental para reconhecimento entre pares. O pretérito, portanto, passou novamente a contar.


Há, no entanto, dúvidas que tais alterações comportamentais tenham efectivas repercussões no mercado. O volume de vinhos vendidos, por exemplo, sob a chancela do Dão e da Bairrada progrediu favoravelmente? E para quem tenta oferecer algo diferente (conceito demasiado abastardado), sente os bolsos menos ocos?
Creio, e é mera fé pessoal, que tal vaga resume-se, apenas, a meia dúzia de fogachos, sem qualquer consistência ou conhecimento de causa, incapazes de sustentar uma nova vaga de consumo.  Voltará tudo à normalidade. E outras modas virão.

sexta-feira, fevereiro 10, 2012

Porquê este e não aquele?

O processo de escolha de um vinho, ou de outro produto qualquer, está sujeito a impulsos ou a decisões que são, na maior parte dos casos, (in)justificáveis. Decorrem, por vezes, de práticas do dia-a-dia, de actos mecanicamente repetidos. Depois, de somenos importância, surge o factor, quiçá, mais determinante na selecção: o valor pecuniário, que aliado à vontade acérrima que se tem em conhecer ou não, dita quase sempre o resultado final.

Foto retirada do adegga.com
Por isso há vinhos que dificilmente irei beber, não encontrando, no âmago das minhas inúmeras contradições pessoais, qualquer justificação sustentada. Fica-se pelo porque sim ou porque não. :)

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

Mon Coeur

Sem qualquer discurso valorativo, afirmo que o vinho, que dá titulo ao post, agradou.


E sem mais entretém vazio de conteúdo, coberto de lugares comuns ou de choraminguices sem sentido, digo que o dito reporta para estímulos da Bairrada e do Dão de perfil mais clássico. 


Agora, as ditas regiões, tão desprezadas que foram, são terras prometidas para pretensos enófilos enfartados de cousas modernas. Sobre o que interessa, o vinho, resta aconselhar a sua prova. Parece que chega. Não?

domingo, fevereiro 05, 2012

O Vinho do Produtor

 A expressão vinho do produtor carrega forte carga negativa que afasta, nos tempos que vão definhando, qualquer consumidor ou individuo, bem vestido e de calçado, mais ou menos, envernizado e com, mais ou menos, tiques urbanos.
Vinho do produtor foi, ou ainda é, expressão usada para o líquido resultante da vinificação de uvas de espécie americana.


É também sinónimo de vinho feito artesanalmente, cheio de arcaísmos, com poucos recursos, trabalhado em adegas ou espaços improvisados. Vendido, depois, a gente que pisa quilómetros em busca de algo que pareça genuíno.
É com estranheza que a mesma expressão não seja usada, de forma literal, por Quintas e Herdades. A opção recaiu noutra com mesmo significado: Produzido e Engarrafado pelo Produtor.


Curioso, acho, é que se mudássemos de cenário e de idioma (com ou sem acordo ortográfico), as mesmíssimas palavras dariam origem a tratados cheios de elogiosos adjectivos. Seriam poucos aqueles que levantariam palavras contra. Esquecer-se-iam as questões de higiene, de rótulos, de inox ou barrica. 


Passariam a ser, pois então, vinhos de autores excêntricos, de garagistas sonhadores ou de adegueiros experientes. Naturalmente a junção vinho do produtor escrita e pronunciada em francês, em italiano ou espanhol soa naturalmente de outra forma e saberá, claro, muito melhor no copo. Portuguesismos.

sábado, fevereiro 04, 2012

Periquita 2011

Um Branco que tenta, julgo, alcançar a mesma fama que o Tinto transporta há anos. E tudo por causa de um  simples nome: Periquita.


Independentemente das escolhas que tomamos, produtores e consumidores, nunca ressoou bem a conjugação Periquita Branco. Coisas...


Fácil no trato, descomplicado, directo e apto para ser consumido em momentos de enorme informalidade. Na maior parte das vezes, também não é preciso mais.

Post Scriptum: O vinho foi oferecido pelo Produtor.

sexta-feira, fevereiro 03, 2012

Prémios Academia TWA 2011

O processo, pensado por miúdos da rua, foi simples e sem variáveis mais ou menos estranhas ou obscuras. Cada um fez o que queria e como queria. Sem complicações excedentárias. E sempre às claras. Nada indicado, portanto, para apreciadores de coisas às cegas. A eleição decorreu nos meandros do grupo facebookiano TWA (The Wizard Apprentice). Cozinharam-se, ainda assim e em segredo, os prémios a atribuir, de modo que todos levassem qualquer coisa para casa. Foram, portanto, cumpridos todos os preceitos das negociatas. Mas passemos aos vencedores.


João à Mesa ganhou a taça na categoria de Melhor Post por causa de um prosaico Esteva 2010. O projecto E Tudo o Vinho Levou desviou para os lados os adversários na categoria de Revelação. Sem espinhas. Rui Falcão ficou com as insígnias de Melhor Jornalista/Critíco de Vinhos. E myself, Pingus Vinicus com o Pingas no Copo (escuso de colocar link), na categoria de Melhor Blogue. Na verdade, a vitória foi ilegal porque empurrei, com o cotovelo, o Hugo Mendes e o seu TWA para o segundo lugar. Epá desculpa :)

quarta-feira, fevereiro 01, 2012

Surgem, ainda, por todos os lados

O post per si não trará nada de novo, porque o assunto foi ,e será, escrutinado mais que uma vez. 
Após breve período em que a consulta da Revista de Vinhos foi suspensa, é-se confrontado com uma enxurrada de novos produtores, de novos vinhos, de novas colheitas. A proliferação de rótulos é de tal volume, que o cenário assemelhava-se, perdoem o exagero, a praga.


Sabemos que o sonho comanda a vida, é certo, e que distingue o homem cerebral do animal irracional, mas não consigo deixar de pensar sobre as eventuais razões que levarão alguém a saturar o mercado com mais uns hectolitros de vinho. Para onde irão?


E, por muito que queira, é impossível conhecer tudo.