terça-feira, dezembro 27, 2011

ABSL Malvasia 1985

Se dúvidas houvesse, elas estão, agora, cada vez mais dissipadas. O vinho da Madeira oferece, ao comum dos mortais, um conjunto de estímulos raros numa realidade assumidamente global. Os melhores, os imortais, são inacessíveis. Cada vez mais.


Enquanto isto, continuemos a contagem decrescente para a entrada no túnel. Ele vem já aí.

sexta-feira, dezembro 23, 2011

Podcast da Adega

O vinho em versão PodCast, para ouvir e desfrutar. By Diogo Rodrigues and Amabok.


Ainda há gente que continua a surpreender pelo dinamismo, pela inovação, por tentar vasculhar abordagens diferentes. Força aí!

quinta-feira, dezembro 22, 2011

FMA Bual 1964

Sorte! Destino, quiçá. Caiu pelo goto, mais uma vez, este Madeira de 1964. Vinho cheio de predicados. Líquido que todos os homens deveriam beber. Complexo, complicado, cativante e cativador. Perfeito para amaciar a alma, o corpo, a raiva.


Faz-nos pensar e ver que talvez exista mais qualquer coisa para além do trivial, do comum, do habitual. Ao invés de desejar Feliz Natal, proponho que tenhamos uma Saúde pujante, com boa acidez e boa estrutura. Capaz de aguentar todas as agruras.

domingo, dezembro 18, 2011

Mouchão Tonel 3-4

Refastelado na cadeira, de copo na mão, pela meia medida. Bebido até à última réstia de presença.
Vinho potente, ainda jovem e vivo. Impressionante.


Que interessa, nestes momentos, perder tempo com manuscritos pacóvios, longos e cheios de lugares comuns? Quem os lê? Ninguém. Que se beba, que se afoguem as mágoas, que se são muitas. Que se viva o momento.

sexta-feira, dezembro 16, 2011

Sexus, Plexus, Nexus

Caramba, nunca tinha associado a palavra Plexus à trilogia de inspiração erótica criada por Henry Miller. Achava o nome pujante, forte, talvez vaidoso demais, para um vinho de baixo valor enófilo. Perdoem-me, os autores, pelo exagero eventual.


De qualquer modo, e independentemente, de considerações mais ou menos eloquentes sobre o produto engarrafado, não deixa de ser uma bela estirada comercial. Junte-se, ainda ao rótulo, o aspecto sparkling que apresenta e temos algo visualmente agradável, desejável e de baixíssimo custo.


Juntamente com este vinho, apraz-me dizer que são exemplos, quase perfeitos, do bom aproveitamento que a imagem pode proporcionar. Algo contra? Acho que não.

Posfácio

Frisantes, brancos e tintos leves: vinhos, derivados ou subprodutos? Regionalismos?

quinta-feira, dezembro 15, 2011

Gastrossexual

Blog que descobri recentemente. A imensidão de informação que vagueia pela rede é de tal volume, que passamos por muitos locais e não se repara em nada. Parei, desta vez, e fui decalcando, com calma, o que se publicava. Resultado: gostei e aconselho.


Tornou-se, juntamente, com o velho Garficopo lugar de visita obrigatória. É, portanto, para consumir sem qualquer reserva. Não há contra-indicações.

quarta-feira, dezembro 14, 2011

Carrafouchas

Conheci António no último Adegga Wine Market. Homem de fácil trato, terra a terra, sem figuras de estilo na linguagem. Sem salamaleques. Apreciei.


A Quinta de nome bem curioso, foi já visitada por diversa gente (podem, se quiser, dar uma espreitadela ao que disse Miguel Pereira aqui, o Nuno Círiaco aqui, o Carlos Janeiro aqui e ao que Diogo Rodrigues diz aqui), situa-se nos arrabaldes de Lisboa. Autêntica quinta urbana e como tal encerra algo de exótico, algo de anacrónico. E segundo parece foi, em tempos de guerra, residência do  General Junot durante as invasões francesas.


O tinto, da Colheita de 2009, oferecido pelo António, é de fácil empatia, fresco, suculento e saboroso. Vinho sem falsas pretenções, sem complicações, que sabe bem em qualquer momento e em qualquer altura. Que se beba.

Post Scriptum: O vinho, como repararam, foi oferecido pelo Produtor.

segunda-feira, dezembro 12, 2011

Gravato

Gravato é o nome de uma das várias contendas militares que aconteceram por esta Europa, no advento do século dezanove. Por aquela altura, como sempre, martirizaram-se no campo de batalha duas formas de olhar o mundo, a sociedade, e o homem. Uma, eventualmente, mais conservadora, outra, quicá, mais evolutiva. Resta-nos saber quem era quem. E quem era o invasor.
Curiosamente, ou não, deslumbra-se, novamente, o choque de doutrinas, o atiçar do velho sentimento de disputa que sempre foi marca do nosso continente. Há seguramente um afincar de posições, de entrincheiramento de ideias e de visões sobre o futuro.


Os pequenos assistem, tal como em épocas passadas, incapazes de conduzir a sua vida. Serão, fatalmente, a primeira linha de defesa dos mais fortes. Serão recrutados, por ambas as facções, como soldados baratos e dispensáveis. Tudo por causa de um qualquer pretenso, e já prometido, prémio. Na verdade, sempre foi assim.


E numa era em que tudo é posto em causa, onde todos se agrupam e se preparam para a contenda final, defender solitariamente  uma certa maneira de ver o mundo é facto raro, mas merecedor de atenção e reconhecimento público.

Apêndice

Gravato ou garavato é, também, nome que se dá a uma vara com um gancho na extremidade e que serve para colher a fruta.

Post Scriptum: O vinho foi oferecido pelo Produtor.

sábado, dezembro 10, 2011

Para quê repetir, se está tudo dito?

Para quê repetir, se alguém já o disse e bem?  Cumprindo este preceito, basta-me pegar nas palavras e ditos do Pingamor sobre estes vinhos e ainda sobre este vinho e dizer que concordo. Simples.


O João Barbosa também já publicou a sua visão sobre um dos avaliados. Fez uma análise coerente com o seu caderno de encargos. Muito bem.


Deste modo, poupo-vos o presumível fastio que, eventualmente, teriam ao ler mais um texto replicado e sem qualquer substância. E já são muitos.

Post Scriptum: Os vinhos foram oferecidos pelos Produtores.

quinta-feira, dezembro 08, 2011

Saima Reserva

Cansado, irritado e desiludido. Treta, porra de vida. Chega-se a casa, que se lixe o mundo. Coloca-se a arma no descanso, desengatilhada. A família esperava. As crianças sentadas, ordeiramente no sofá, olhavam de lado. Esperavam por uma breve saudação.


Virou-se para a cozinha. Poucas palavras são ditas e reditas. Os temas são recorrentes. Não há novidades. A luz insiste em dar sinais de estar a sumir.
O vinho, de tez tinta, jorrava para dentro do copo. Foi, por momentos, o único som audível. Cheirou-se, sentiu-se, interpretou-se. Soube bem.


Soltaram-se, finalmente, algumas palavras, meia dúzia de interjeições. Mas nada de profundo, nada de importante. E amanhã, é outro dia.

terça-feira, dezembro 06, 2011

Selecção da Adega

O rótulo é, cada vez mais, componente importante na promoção de um vinho, influenciando ou não a sua escolha. Provavelmente optamos por uns em detrimento de outros por causa do rótulo. Existe sempre qualquer coisa que cativa, que chama pela mão.


Muitos produtores e distribuidores apostam forte neste elemento, buscando aspectos mais ou menos modernos, mais ou estilizados, mais ou menos rebuscados, mais ou menos emotivos. E se no passado a selecção dos temas era mais arrojada, apenas, em vinhos de gama alta, destinados a  momentos presumívelmente requintados, agora facilmente se deslumbram curiosas etiquetas em vinhos bem mais prosaicos. Bem mais acessíveis.


E uma das curiosidades deste tinto, vinho de mesa, portanto não datado, que não é mau de todo e que surge de uma parecia entre a Adega Algarvia e o produtor francês Bouchard Pére & Fils, assenta precisamente no rótulo que ostenta. Como se pode reparar trata-se de um label by Tatiana D. Abrantes.


Uma imagem que transmite algum amargor, quiçá, sofrimento. Uma figura humana aparentemente despida, encolhida, com medo. Sinais do tempo.

domingo, dezembro 04, 2011

A Palheira do Ti Zé Bicadas

O meu amigo António Madeira lançou-se na realidade virtual. Faceta que foi descoberta mesmo agora. 
Ele, tal como eu, é um amante dos vinhos do Dão, da Serra da Estrela, das aldeias, de tanta coisa que quase não existe.

A foto é da autoria do António

Somos apaixonados pelas nossas terras, pelas suas gentes, vincamos as nossas raízes. Gostamos de chouriça, de pão centeio. Convido-vos, por isso, a seguir os seus passos na Palheira do Ti Zé Bicadas.

Post Scriptum: Sei que vais estar em Santa Marinha, por estes dias. Curte a passagem.

sábado, dezembro 03, 2011

Tapada dos Monges

O tempo, certamente, pede por coisas mais quentes, líquidos mais estruturados e amplos. Ainda assim, há possibilidade de refrescar o corpo, a alma, e limpar as mágoas da vida que se vai levando. No meio de ilusões e desgostos, e quando se pode, sonha-se que tudo mudará. Quem sabe, um dia.
Eventualmente, monges e frades teriam, e terão, uma vida bem mais prosaica, um modo de estar mais parcimonioso, em que as necessidades seriam facilmente colmatadas. Para lá caminharemos, quiçá. Um regresso às origens, um retorno a hábitos bem mais imediatos e comedidos. 


E com o fecho do ano tão perto, fica a ideia que chegou o momento para expiarmos os (nossos) pecados, reconhecer que se falha. Lavarmos o corpo com água gelada e mirar para a frente...


O vinho, esse desiderato que deu o nome ao post, cumpre os preceitos da região e da casta. Mostra, ainda, ser vinho branco de corpo robusto, que aguenta copo largo e temperatura mais alta. Cumpre e não envergonha. Tem, no entanto, enorme entrave. O preço. Os euros que se pedem, nos tempos que correm, podem ser despropositados. Que se relembrem os monges. ;)

Post Scriptum: O vinho foi oferecido pelo Produtor.

quinta-feira, dezembro 01, 2011

Adegga Wine Market

Julgo que foi a terceira edição. Foi, no entanto, a primeira vez em que participei. Gostei do que vi. Sentia-se e viveu-se um ambiente cool e descomprometido. 


Moderno no aspecto, na dose certa. Boa simbiose entre a tecnologia e o classicismo. Tudo em regime ligeiro, mas com conteúdo.


Evento feito, por jovens, para gente de todas as idades, credos e descredos, alturas e larguras.


Produtores e consumidores ao mesmo nível e sem bancada a separar. Autêntica mistura de interveninentes.


No meio do nada, surgiam mesas redondas, círculos de interesse, onde o debate e a opinião circulavam com uma velocidade incontrolável.


Puras assembleias espontâneas, de forte cunho popular. Curti.