quinta-feira, setembro 30, 2010

Vem aí o Super Painel de Prova!

Parece, segundo consta, vai nascer uma Liga de Campeões enófila. Pretendem criar um painel de prova com os melhores narizes do país, com os melhores provadores da nação, pois acredita-se, assim, que serão resolvidos grande parte das desconfianças e problemas da critica de vinhos. Serão, portanto, os melhores entre os melhores. Estejam atentos que iremos assistir a grandes jogatanas. Quem quiser inscrever-se, avance que as candidaturas estão abertas.

Sigam a conversa neste local, pois parece que ainda não acabou.

domingo, setembro 26, 2010

Casa do Cadaval (Tejo)

Apesar de ter sido uma passagem rápida e sem demoras, o tempo gasto foi o suficiente para comprar o Trincadeira Vinhas Velhas Colheita de 2008, o espaço que circunda a Casa do Cadaval merecia ficar registado pela máquina. Lugar agradável, elegante, nobre. Respira-se serenidade e sossego. Sensações reforçadas pela manhã meio acinzentada e algo bucólica.


Na maior parte das vezes, esgotamos o reduzido tempo a articular meia dúzia de frases feitas sobre um vinho e esquecemos que por detrás daquela garrafa está outro mundo, por vezes bem mais interessante.

quinta-feira, setembro 23, 2010

Jacob's Creek, um espumante da Austrália? Desculpem, um sparkling!

Não deixa de ser exótico, provar um espumante da Austrália, desculpem um sparkling, principalmente pela raridade do momento. Foi, com enorme certeza, a primeira vez que tal tarefa foi proposta à minha personagem. Posto isto, convém, acho, falar do vinho em causa.

Temos um dueto entre Chardonnay e Pinot Noir. Os cheiros estão apelativos, bem trabalhados, de fácil empatia, roçando levemente, perdoem a terminologia, sensações lascívas. Citrino, maçã, erva. Cristalino, limpo.
O sabor enrijece-se o lado mais cristalino, mais limpo do vinho. Regressam as impressões citrinas, amparadas, desta vez, com uma pequena nesga de fruto seco. A bolha, essa, era fina, bem proporcionada.
É, parece-me, um vinho que vale acima de tudo, e às vezes basta, pelo prazer que transmite, pelo bem estar que proporciona. Fechando, atrevo-me a aconselhar que peguem nele assim que o virem em alguma tabanca (segundo a nota de impressa custará cerca de 10€).

Post Scriptum: Vinho enviado por empresa de comunicação do distribuidor.

domingo, setembro 19, 2010

Quinta do Alqueve (Tejo)

Será, eventualmente, mais conhecida por Quinta do Alqueve, em vez de Pinhal da Torre.

Lembro com algum regozijo, alguma alegria quiçá, a forma quase aleatória e despreocupada como descobri este produtor ribatejano. Já, agora, e antes de avançar, ainda não assimilei a nova nomenclatura Tejo. Irei observar, com atenção, os possíveis ganhos que a mudança de nome de uma região pode trazer para o povo. Coisas da nossa Nação.

Voltando à história, este produtor ribatejano surgiu à minha frente por causa de um blend de Syrah com Touriga Nacional, da Colheita 2001. Recordo um vinho elegante, com madeira bem trabalhada, envolvente e fino. Parecia coisa de outro mundo. A partir desse momento, andei sempre de olho em cima das actividades da Pinhal da Torre.

Não há muitos dias, voltei a ter a oportunidade para medir o pulso ao portefólio desta casa. Numa manhã e parte da tarde, um conjunto de bloggers nacionais, enófilos inveterados e outros mais, puderam provar in situ toda gama de vinhos produzidos naquela parte da lezíria ribatejana. 

Vinhos que revelaram um perfil próprio, uma ideia, um sonho. Vinhos que pretendem ser diferentes, personalizados, que consigam largar carácter pelos lugares por onde passam. Não sei se são ribatejanos, portugueses, novo mundo ou velho mundo. O que interessa para o caso e para aqueles que estão agarrados a este vício - enófilia - é a qualidade presente. Vinhos que poderiam, se calhar deveria dispensar, o nome da região, agora Tejo, antes Ribatejo.

Sem qualquer sinal de pedantismo, sem qualquer réstia de subserviência, diria que andamos, em muitos casos, ofuscados com a luz de outras regiões. Não é chique, não é bonito, e não fica bem perder tempo com vinhos de zonas menores.

Por entre os diversos brancos, rosé, tintos e colheita tardia provados, o ignorado Touriga Nacional de 2000, da Quinta de São João, continua a surpreender pela frescura, pela extrema elegância. Numa vaga mais moderna, mais actual, o 2 Worlds Reserva 2004 revelou ter capacidade para agradar a gregos e a troianos. Um Chardonnay de 2008 limpo, cristalino, ligeiro, directo. Simplesmente, puro prazer. Numa onda de futuro, chegou-me às mãos dois vinhos tintos da Colheita de 2009 sem nome ou melhor com nomes alternativos, que perspectivam a chegada de um verdadeiro acontecimento enófilo. Carregados de frescura, estímulos vegetais e complexidade aromática. Fico aguardar a sua apresentação pública.

Pinhal da Torre é, eventualmente, um dos casos em que o nome do Produtor é maior que o da região. No fim da jornada sai de lá convencido.

segunda-feira, setembro 13, 2010

Reentré? ou antes Höpler Trockenbeerenauslese Noble Reserve 2007

Usando terminologia muito ao gosto de políticos, de jornalistas encartados e opinadadores, estamos na reentré. Terminadas as férias, ultrapassado o longo vazio que dá sinais em Maio e se prolonga até meados de Setembro, parece-me que nas últimas passadas de 2010, e eventualmente durante o próximo ano, as hostes enófilas, profissionais ou não, vão arrastar-se pelos cantos, bocejando e adormecendo quando calha e apetece. Não creio que surja qualquer acontecimento, evento ou chegada triunfante. Iremos fatídicamente falar dos mesmos assuntos, reproduzindo a mesma argumentação, vivendo de clichês e lugares comuns até à derradeira implusão.

Mudando de tema e continuando a vestir roupa de conhecedor além terra, largo mais uma sugestão ou simplesmente, como queiram, mais um exemplo de inocuidade enófila, dado que o vinho em causa não deve habitar por estas terras ocidentais. O nome é completamente abominável e de leitura impossível, mas para o caso não interessa.
Ele é muito citrino, fresco, sadio, agradavelmente leve, conseguindo combinar, muito bem, o peso do mel com a delicadeza das líchias. De uma limpeza e sinceridade digna. Alguém conhece?

terça-feira, setembro 07, 2010

La Polenza Cinque Terre Sciacchetrà 2007

Um vinho de sobremesa (Sciacchetrà) vindo de Itália. Um líquido curioso, ligeiro e alegremente simples, mas não papalvo. Um vinho que caía para a garganta de forma escorreita, deixando na boca sensações elegantes e frescas. Orientado para ser desbastado a solo ou dando o braço a uma cavaqueira entre comparsas. Foi, acima de tudo, mais um passo na instrução enófila.
  
Por desleixo pessoal, não dei importância devida à história do vinho. Remexendo na rede, reparei, julgo eu, que as casta primeiras da Região Cinque Terre, ou pelo menos aquelas que aparecem bastas vezes, apelidam-se de Albarola, Bosco e Vermentino. Se quiser perder mais algum tempo com o assunto passem por aqui.

quarta-feira, setembro 01, 2010

Josephshöfer Kabinett, conhecem?

Muito diferente, demasiado desigual para ser capaz de recitar alguma coisa com sentido. Ele, o vinho, não permitiu compará-lo com outros. O pior foi ficar sem saber se gostei ou não. Sentimento estranho!

Peço, portanto, ajuda na dissecação deste vinho branco germânico.

Post Scriptum: A foto, eu sei, está detestável.