quinta-feira, maio 27, 2010

Pintas Douro 2002

Regresso ao Universo Pintas, de 2002, o ano que dizem que foi maldito. Alguns vinhos, nascidos neste período, têm surgido com comportamentos interessantes para uns, engraçados para outros. 
Este revelou-se cheio de frescura, com emoções e sensações frescas, minerais e húmidas. Com a pedra a marcar presença de forma impositiva. Pensemos, para enquadrar ainda melhor o cenário proposto, naquele chão negro, levemente molhado, tapado por folhas, paus, ervas. Escorreito.

Coberto de cheiros silvestres, com o lombo carregado de flores, pequenas, grandes. Rosas e violetas.
Autêntica exaltação organoléptica ou, eventualmente, delírio pessoal. Que interessa? Bom, num acto de puro egoismo enófilo, dira que apenas conta o meu prazer.
Alargou-se com impressões especiadas, dando ao ambiente uma tez levemente exótica. Só lhe ficou bem. O chocolate e tabaco, esses artefactos com presença assídua nos dias de hoje, comportaram-se de forma sensata.
Paladar amplo, largo, seco. Mastigável, duradouro. Vigorante e viçoso, elegante e distinto. E que mais? Mais nada, que não interessa. Nota Pessoal: 17,5

quinta-feira, maio 20, 2010

Caves Velhas Arinto Bucellas 2009

Um clássico com imagem nova, com retoques um pouco por todo o lado. Ostenta ainda uma medalha.
Era um vinho, não o único, que consumia com muita assiduidade. Depois, como tudo, deixei de dar-lhe importância.

Cheiros com abundantes sensações citrinas, com maçã e com casca de pêssego (aquela impressão do pêlo do involúcro). Perfumado por flores de tonalidade branca e amarela. Ligeiro polén e feno.
Bem feito, organizado, alinhado e sem sinais de exuberâncias excessivas. O contra-rótulo fala em aromas tropicais. Não concordo.
Sabor seco, sóbrio, fresco, com a acidez a marcar forte presença. Um conjunto balanceado e destinado ao calor. A titulo pessoal, temos vinho para o Verão.

Post Scrpitum: Vinho enviado pelo Produtor.

segunda-feira, maio 17, 2010

Bodegas Carrau Amat Tannat 2002

Desconhecido. Aliás, penso nunca ter provado um vinho em que a proveniência tenha sido o Uruguai. Por isso, estou a falar às escuras, sem qualquer ponto de referência. A bússola enófila, neste caso, gira descontroladamente.
O vinho em causa é um varietal. A casta é a tannat. O ano da colheita é 2002. O produtor chama-se Bodegas Carrau.

Inicialmente terroso e apimentado. Durante algum tempo revelou, e bem, forte apetência para os cheiros vegetais. Tudo certo até ao momento. A coisa virou quando começaram a insurgir-se perigosamente sensações doces. Passas, sultanas, geleias, manteiga e chocolate com leite. Uma trupe que tapava quase tudo e que, a titulo pessoal, incomodou quando se manifestou.
O paladar era, e apesar de tudo, curioso. Fresco e refrescante. Deixava na boca uma leve impressão mentolada. Conseguiu, ainda assim, fazer esquecer aquela pandilha adocicada. E por muito que dê voltas à cabeça não consigo dizer mais nada. Nota Pessoal: 15

quinta-feira, maio 13, 2010

Vinhos diferentes, quais são?

Este vai ser muito rápido e directo. Aliás, é visivel a diminuição para dissertações extensas. Parece que ando sem paciência. Posto isto, e pegando num post do Hugo Mendes, que aborda a questão da uniformização dos nossos vinhos, lanço uma questão simples ou simplória, como queiram, ao povo (que faço parte): Onde andam os vinhos diferentes? Quais são os vinhos que fogem dessa maléfica uniformização? Digam nomes, quero nomes!

Antes de ir embora, largo aqui uma achega: Serão, os diferentes, aqueles que ficam mal colocados nas graduações das revistas de especialidade?

domingo, maio 09, 2010

Vietti Nebbiolo 2006, Korem 2005 & Companhia

Quis recordar numa noite, e em plena Lisboa, a minha efémera passagem pelo Norte de Itália. Relembro, por várias vezes, e com muita saudade, a loucura e a desmedida sofreguidão com que provava inúmeros vinhos italianos. Todos eles, à excepção de um ou dois, afiguravam-se como autênticos desconhecidos. Muitos, infelizmente para a minha carteira, não valiam um chavo.
Enquanto o resto da família procurava as típicas lembranças de viagem para oferecer, olhava embasbacado e siderado para as prateleiras. Por entre muitas dúvidas e incertezas, trouxe uma mala cheia de vinho. Posto isto, regressemos, mas é, a 2010 e esqueçamos as inócuas peripécias vividas por este indivíduo.  
Sentados no tradicional poiso do Núcleo Duro, Restaurante A Commenda, foram caindo no copo cinco tintos italianos. Por entre diversas pistas e dicas, que foram sendo largadas no ar, tornou-se visível a incapacidade para acertar na origem dos vinhos.

Vietti Nebbiolo 2006Argiolas Korem 2005 e Paternoster Synthesi Aglianico del Vulture 2005 assumiram o meu pódio. As suas diferenças centraram-se em questões de estilo, de pormenor. Por isso e por causa disso tiveram a mesma Nota Pessoal (17).
O primeiro da tripla era quase borgonhês, delicado e elegante, refrescante. Um estilo que prende um homem pela delicadeza. O outro estava carregado com muita especiaria e folhas de chá. Profícuo em sensações exóticas e muito perfumado. Último dos eleitos tendia para para o vegetal, para impressões e sensações terrosas e minerais. Seco. Pouco imediato.

Do outro lado da vedação, emparelhavam-se os outros dois. St. Michael Eppan Sanct Valentin Lagrein 2004 e Ornellaia Le Volte 06 (naquela passagem fugaz pelo topo da Itália enchi a barriga com ele). O St Michael mais químico, mais húmido. Com muita apara de lápis.  Moderno, mais novo mundista. Mentolado, denso e pujente (Nota Pessoal: 16,5),  enquanto o Le Volte mostrou-se estranhamente doce, com confeitaria e fruta cristalizada. Valeu pelo sabor que era, para não destoar, seco e sóbrio (Nota Pessoal: 16).


Morta, por enquanto, a minha saudade, tenho que agradecer ao Miguel Buccellato  (Enoteca VINOdiVINO La Fattoria) a ajuda que obtive na escolha dos vinhos. Conseguiu, e bem, com um orçamento (muito) reduzido seleccionar um leque interessante e capaz de proporcionar uma prova de elevado nível.

sexta-feira, maio 07, 2010

Vista Alegre Old White Porto

Hum... vasculhando nos meandros da minha estranha memória, não consigo deslumbrar qualquer contacto com este tipo de vinho. Logo, este Vista Alegre Old White, com cerca de 20 anos de vida em casco, afigura-se, com toda a certeza, como o primeiro, do género, a entrar no meu álbum de recordações.

O vinho, esse, confude-se com um Moscatel. É gorduroso, mas meigo e macio. Cheiros e sabores com muita propensão para os citrinos. Balanceado, com boa envolvência e cativador. E, acima de tudo, deu prazer. Ponto. Nota Pessoal 16,5

quarta-feira, maio 05, 2010

Colomé Malbec 2006

É outro que conhecia, apenas, através da literatura. Parece que tem a particularidade de ser proveniente de vinhas plantadas em grande altitude. Segundo consta, ou segundo a história contada, são as mais altas do mundo. De grosso modo, serviu para enriquecer o meu portefólio enófilo.

O vinho, esse, largava intensos aromas a frutos pretos ou, seguindo a moda, frutos azuis. Frutos, esses, temperados com especiarias. Talvez cravinho, talvez alcaçuz e talvez pimenta. Continuando com o talvez, começo acreditar que todos aqueles que falam sobre vinho alicerçam o seu conhecimento seguindo a lógica do quiçá. Ter certezas, neste meio, é uma enorme carga de trabalhos. A subjectividade que a análise de vinho encerra é quase desmedida. Uma fé.
Continuando, fiquei, ainda, com a ideia que havia, por ali, canela, café e baunilha. Uma panóplia de aromas muito novo mundista.
O sabor é amplo, com chocolate e tostados. Consegue ser seco e fresco. Peca, no entanto, por insistir, em demasia, no mesmo timbre, acabando por tornar-se unidirecional.
Um tinto demasiado limpo e sem arestas, fazendo supor que tinha sido feito por medida.  Nota Pessoal: 16

segunda-feira, maio 03, 2010

Quinta do Noval Labrador Syrah 2007

Não há muito tempo falou-se em alguns saloons, vulgo fóruns, sobre o aparecimento de castas com identidade estrangeira em algumas regiões portuguesas. Recordo, se a tola não estiver a falhar, que irroperam vozes vociferando contra tal acto. Segundo esses pregoeiros, era a profanação do carácter de algumas regiões, como o Douro e o Dão. Seria o princípio do fim da nossa diversidade.
Curiosamente, na altura, ninguém referiu que a generalidade os nossos vinhos, construídos a partir das nossas castas, apresentam, já, perigosamente um conjunto de características muito semelhantes e que poucas diferenças apresentam entre eles, chegando em alguns casos a comportarem-se como puros australianos ou chilenos. Bastará escarrapachar no contra-rótulo nomes como Tinta Roriz, Trincadeira, Touriga Nacional e afins para que possamos ser desavindos e variados? Hum ...

Sem saber o que estava à frente dos meus olhos, dei comigo a apreciar, a beber e a gostar de um syrah do Douro. O vinho apresentou-se muito cativador. Alfazema imiscuia-se no meio de uma carrada de pimentas. Proliferava, ainda, uma forte sensação a apara de lápis. Avançando com o meu desvairo sensorial, assomou-se a hortelã, a terra e a tosta. Tudo bem trabalhado, revelando precisão e rigor, nunca sendo um vinho imediato ou fácil. Foi, quase sempre, um vinho com personalidade e sentido de estar.
Paladar saudavelmente seco, rigoroso e com raça. Acidez viva e irrequieta, confirmando, também aqui, a sua precisão, o seu carácter. Enfim, que venham mais syrah's assim. Nota Pessoal: 17

sábado, maio 01, 2010

Já viram como andam os nossos Foruns?

Estive a dar uma volta, rápida, pelos diversos fóruns que estão encalhados na rede. Depois de poucos segundos e alguns clic's no botão do rato, tive que sair rapidamente para não ficar afectado pelo cenário desgraçado que fui observando. Anda tudo meio anestesiado. Estão insípidos e maçadores. O ar que se cheira está impregnado por uma medonha sensação de despovoamento rápido. Abandonados. Dá a ideia que alguns dos residentes fugiram e os que voltam, não perdem muito tempo. Bebem um copo e saiem a galope.

Por entre uns copos, que por lá se bebem, pistoleiros embriagados vão disparando meio à toa, mas as respostas são fracas e completamente ineficazes. Talvez o calibre das armas usadas não esteja a ser o mais adequado.  Liberta a pólvora do colt, voltam todos aos copos, meio adormecidos com o chapéu sobre a face. Tenho pena que ninguém toque gaita ou bandolim para que o cenário de western spaghetti, ao estilo de Sergio Leone, fique quase completo.
Apesar das constantes campanhas publicitárias, estão transformados em cidades fantasmas, decadentes e cheias de lugares vazios. Que raios, onde está o povo? Será que o PEC já anda a fazer das suas?