segunda-feira, janeiro 18, 2010

Festival Côtes Du Rhône


Certamente, e durante algum tempo, irei andar pelas paredes a chorar como uma alienada carpideira. Não são todos os dias que enfio no meu bucho uma quantidade de vinhos tão singulares como estes.



Num longo dia, em que a chuva tombava sem parar, nos meandros da cave da Quinta de Nápoles (Niepoort) estavam ali à mão de semear um conjunto vinhos alienígenas. Vinhos cheios de frescura, carregados de mineralidade. Cobertos de vegetais, loucamente secos. Ricos em acidez e taninos. Despidos de sensações doces, adversos à madeira. Destinados a envelhecer com honra e dignidade. Pareciam provenientes de uma dimensão quase desconhecida. Uma realidade, infelizmente, demasiada distante da nossa.



Grosseiramente recordava, de tempos a tempos, sensações do passado. Estimulos remotos vindos do Dão. Sei que é uma grotesca comparação, mas não descortino outra semelhança mais plausível.
Raios, não liguem às modas. Borrifem-se para isso. Quem acredita noutros caminhos, noutras maneiras de ver o assunto acabará, fatalmente, por triunfar sobre o fácil.



Notas sobre os vinhos? Ao fim de uns míseros 10 minutos, calei a caneta. Havia muito para depreender e apreciar o que, desgraçadamente, não temos.

Post Scriptum: Passei ao lado dos vinhos dos Douro Boys.

7 comentários:

Joel de Sousa Carvalho disse...

Chiça, tu devias ir para filósofo/poeta...

Que granda post!!!

Abraço

Anónimo disse...

aterrador este seu comentário.

Pingus Vinicus disse...

Caro anónimo, não é aterrador, é talvez, deslumbramento pessoal.

Joel de Sousa Carvalho disse...

Anónimo.... Bom....

Antonio Madeira disse...

Ola Rui Miguel,

Da para perceber que essa prova te marcou muito.
Na foto da lista, o unico nome que conheço é o do Domaine Courbis. Provei um Cornas desse produtor ha uns meses atras e fiquei louco com esse vinho... Ja sao 2 vezes que provo um Cornas, adorei ambas. Um grande terroir em maos de pessoas que o sabem respeitar é no que da!

Abraço

OLGA CARDOSO disse...

Olá Rui, como vai isso desde domingo?

Belo post! Muito bom. Dá para ver que te saiu aí de dentro e que o evento te marcou.
Concordo com quase tudo. Só não sei se percebi uma coisa. A que te referes quando dizes "adversos à madeira"? A maioria dos vinhos que provei (e provei muito!!!) tinham estágio em madeira o que estava era muitíssimo bem integrada. É a isso que te referes?
Grande parte dos brancos em prova passaram por aquilo que eles chamavam de barriques mélangées, ou seja, parte novas e outra de usadas.

Mais uma vez...bom artigo Rui!. Parabéns.

Olga Cardoso

P.S. - Gostei de te conhecer pessoalmente

Pingus Vinicus disse...

Olá Olga, viva e obrigado.

A expressão "adversos à madeira" queria dizer simplesmente "madeira não manda", "não domina", "não chateia", "não tapa tudo".


PS - Também foi um prazer conhecer-te.