domingo, julho 26, 2009

Em tempo de férias! (Com Casal Figueira e Companhia)

Respeitando o período de ócio que estou atravessar e evitando meter-me por enviesados discursos tão típicos da minha pessoa, deixo-vos um conjunto de fotos que reflectem uma tarde bem passada. Foram risos, gargalhadas, rolhas a saltar, vinho vertido nos copos, comida aromática (a sopa estava agradável).
Com o Casal Figueira foi feita uma caminhada desde o ano de 1995 até ao recente 2008. Acrescentámos o Soalheiro Primeiras Vinhas da Colheita de 2008. Pareceu-me preso na sua enorme juventude. Apareceram, ainda, três botelhas de Dr. Loosen. Ainda insatisfeitos e com enorme espaço para preencher na pança, enfiámos no bucho mais uns tragos de Quinta da Pellada Tinta Roriz 2000 (aproveitámos para falar do estado da Quinta da Pellada), com o Redoma Tinto da Colheita 2002 vimos como é possível fazer bons vinhos em anos maus. Estava fresco. O Fojo 2000 afinado. Andou por lá um Casar de Valdaiga Bierzo de 1999 que reflectiu uma elegância assinalável.
Apesar de ter colocado na mesa o meu livro verde, não tirei notas e nem dei classificações. Não estava para isso. Seria reduzir tudo a um conjunto de palavras e classificações sem sentido. O objectivo da coisa não era esse! Encerrámos com um Pedro Ximénez da Osborne.

E as fotos, em muitos casos, dizem tudo!

Post Scriptum: Da esquerda para a direita: Pingamor, Pingas no Copo, Casal Figueira e Copo de 3.

quinta-feira, julho 23, 2009

Em tempo de férias!

Estou estupefacto com a velocidade com que alguns comparsas bloguistas conduzem pela rede. Mesmo em época de férias, com metade do mundo de papo para o ar, eles continuam a publicar post's. Tenho inveja. Não consigo manter esse ritmo alucinante. Tenham calma!
Depois, a (minha) vontade está direccionada para o ócio, para a mandriice, para o relaxe. Só de tempos a tempos, é que pego no brinquedo e mato saudades. Aproveitando um desses momentos, venho aqui partilhar com vocês umas quantas graçolas.

Selecção de Enófilos Alvarinho 2008. Um vinho (engarrafado por Quintas de Melgaço) de marca branca que podemos encontrar no Intermarché. Apresentou estrutura e mostrou-se (aparentemente) cheio de sensações minerais. Em certos momentos, roçou a austeridade. A fruta tinha aspecto verde e aparentemente ácido. Sensações secas. Tudo bem embrulhado, sem pontas por limar e a dizer-me que talvez tenha capacidade para evoluir.

Um vinho muito feliz e que não envergonha um tipo. Por menos de 5€, um verdadeiro Alvarinho. Se não fosse o rótulo! Nota Pessoal: 15.

Graham's (Porto) Mature Reserve Tawny. Caro. Quase 20€. Não mereceu o preço que gastei por ele. Quase banal e rudimentar. Terei aqui um ódio de estimação? Nota Pessoal: 13,5.

Reguendos (Alentejo) Branco Reserva 2008. Um vinho discutido por mim e pelo Copo de 3. Um vinho de grande tiragem que existe no Pingo Doce. Cheio, redondo e apelativo. O toque de madeira que apresenta ajuda à festa. Será impossível dizer: não gosto.

Mesmo revelando aos sentidos alguma tendência para a meia estação, ele não enjoa e não pesa (demais) por cauda da acidez que está lá dentro. Um sério candidato ao trono ocupado pelo Pegões Colheita Seleccionada. Nota Pessoal: 15.

Entretanto vão curtindo o Verão.

quinta-feira, julho 16, 2009

Conventual (Alentejo) Branco Reserva 2007

Apresentou-se com discretas sensações petroladas. Durante alguns minutos, os cheiros a combustível e cabeça de fósforo tentaram dominar o que ia saindo do copo. Foi aliviando através de uns quantos fardos de erva. Fresca e seca. Era curiosa a associação entre os dois estados de maturação da erva. Não havia, aparentemente, predomínio de nenhum deles. Manteve-se, assim, um bom bocado. É sabido, pela minha trupe, a tendência (que tenho) para apreciar aromas secos e vegetais.
Ao longo da prova surgiram, por todo o lado, aromas a fruta ácida, de aspecto verde. Temperada por um pouco de hortelã e refrescada, ainda mais, por cheiros a pedra molhada e perfumada por um imaginativo toque floral que fazia lembrar flores rasteiras.
O pior (para mim) surgiu na fase terminal. Assomou-se um perigoso conjunto de odores a melaço e a polpa de fruta madura, que tentavam incomodar. Apesar de ter ficado um pouco mais pesado, conseguiu não perder aquele ar vegetal que tinha.
Na boca, os sabores revelaram-se cordatos, amparados por uma acidez bem integrada, dando ao vinho um ar mais crocante. Trincavam-se pedaços de maçã, pêra e escorria lima e limão.
Um branco (Arinto, Fernão Pires e Roupeiro) ponderado, com uma boa dose de austeridade, e com um bom nível de complexidade. Permite que seja bebido sem qualquer tédio. Resta, agora, esperar pela Colheita de 2008. Nota Pessoal: 15

Post Scriptum: Vinho enviado pelo Produtor.

quinta-feira, julho 09, 2009

A Oeste (da Blogosfera) nada de novo!

Julgo que estamos atalhar por caminhos um pouco enviesados e que poderão afastar muitos enófilos da causa. Dito de outra forma, usando outras palavras, estamos a ficar demasiado agarrados às redes sociais, aos mecanismos de ligação internáutica. Nascem como cogumelos, após uma chuvada, clubes, agrupamentos, sítios, malhas que desviam o homem do simples e puro contacto.
Reconhecendo a importância de tal fenómeno, e não querendo transformar-me num porta estandarte de tradições passadas, sinto que nesses agrupamentos os temas, em discussão, afastam-se do primodial e empurram-nos loucamente para o meio dos nicks, de perfis, dos Facebook, dos Twitter, dos contactos impessoais. Seria necessário que a comunidade reflectisse sobre o rumo que está a ser tomado. Caminharemos para a prova digital? Iremos acabar todos em casa, fechados numa sala, sozinhos em carne e osso? O copo irá desaparecer?
Não esquecer que o toque humano ainda vale, tal como os encontros mais ou menos programados. As botelhas que levamos debaixo do braço. As conversas, as discussões acaloradas que nascem por causa de um copo de vinho. Pessoalmente tais novidades tecnológicas (não consegui encontrar outra expressão) estão situadas num ponto longínquo. Uma eventual dependência cria medo. Propositadamente crio momentos de afastamento, períodos em que pego nas coisas e afasto-me. Isto não pode ser uma corrida em que anda meio mundo às cotoveladas, empurrando os adversários, para a chegar em primeiro lugar. Não se esqueçam que, ainda, é prazer sentir o cheiro das coisas, ouvir os berros, sentir as gotas a cair pela goela.
Entretanto deixo-vos umas fotos (já devem ter reparado) de garrafas de vinho bebidas num daqueles encontros que vão surgindo aqui. Uma das regras instituídas no burgo é trazer uma garrafa. O pedigree não conta. Acredito que cada uma delas apareceu por uma razão qualquer. No meio surgem surpresas.
Emergiu o Mateus Rosé que fazia anos, muitos anos que não bebia. Efectivamente é puro preconceito dizer mal dele. Mais um sinal do pedantismo que existe. Também fazia anos que não provava o Morgado de Sta. Catherina (colheita de 2007). Revelou-se encorpado mas com suficiente frescura e acidez. Estava à espera de um vinho (mais) marcado pela madeira. O Soalheiro (colheita 2008) um habitué. E ao contrário do que dizem, não consigo encontrar cheiros tendencialmente tropicais. Surge sempre farto de aromas e sabores vegetais e minerais. Um Herdade das Servas Reserva (Colheita 2004) que revelou, mais uma vez, a sua face moderna. Chocolate e fruto preto, amparados pelos taninos e acidez. Desfile encerrado com o Vintage 2007 da Niepoort que deixou alguns dos comparsas de bico aberto.
Ninguém proferiu uma única palavra sobre a socialização internáutica (esta expressão existe?) ou sobre vinhos, eventualmente, virtuais. Apenas assuntos deste mundo.

Declaração do Estado de Espírito do Bloguista.

Como estamos atravessar a época baixa, virei até aqui quando achar conveniente. E vocês falem de vinho.

quarta-feira, julho 01, 2009

Couteiro Mor (Alentejo) Branco Colheita 2008, mais um de tusto e meio!


Não vou dizer que, agora, temos os melhores brancos e nem vou fazer comparações, mais ou menos abusivas, com vinhos que nem sei se existem de facto (Continuo admirado com o conhecimento de alguns comparsas. Onde eles arranjam tempo para ler tanto?). Tornaria-me ridículo (mais uma vez) se cometesse tal acto. Seria assaltado por uma legião de entendidos bem blindados. E sabemos, ao longo da história, o resultado do confronto com tais forças. Sendo reduzidas, elas são muito violentas. Estamos, portanto, entendidos.


Venho até aqui gastar mais umas linhas, neste blog, por causa da percepção (muito pessoal) que os nossos vinhos brancos estão melhores. Estão mais afinados, estão mais jovens, estão, efectivamente, mais apelativos. Depois o preço que é pedido por eles, na generalidade, é inversamente proporcional ao que pedem pelas coqueluches tintas. Com meia dúzia de tostões, com meia dúzia de trocos é possível ir ao supermercado e levar para casa um branco com capacidade de satisfazer razoavelmente. Tal fenómeno não acontece com os tintos. Por isso venham lá os brancos que os tintos andam chatos (acho que esta palavra vai ficar para os anais da blogosfera).

Antes de ir, deixo-vos aqui mais uma sugestão. Um branco alentejano (de 2008) de baixo custo que apresenta no rótulo uns saudáveis 12,5% de graduação alcoólica. Aromas e sabores bem frescos. Apresenta acidez sólida, com sensações vegetais secas (bem) enfiadas no meio da fruta (era perceptível o impacto da maçã ácida). Limpo e sem mariquices. Foi capaz de refrescar a goela. Nota Pessoal: 14,5