sábado, março 14, 2009

Herdade do Meio Homenagem (Alentejo) Colheita 2004

Não olhem para as minhas palavras como uma saraivada sobre um morto. Não é essa a intenção.
Este produtor arrancou com pujança, prometendo mundos e fundos. Aparentemente os passos dados, e a dar, estavam calculados. De peito feito lança no mercado alguns produtos interessantes. O branco, por exemplo, merecia um olhar atento. Tomei conhecimento, depois, com o Garrafeira de 2003. Parecia-me um vinho com personalidade, com sentido. Indiciava merecer atenção.
Num ápice, e posso ser injusto, começaram a emergir, por todos os lados, vinhos e vinhos (situação comum a outros produtores). Podíamos dizer que tudo era feito ao jeito do freguês. Chegou a lembrar o jogo infantil: Quem é quem?
Os preços acompanhavam a velocidade dos lançamentos e tornaram-se estupidamente caros. Sem dó nem piedade, alguns vinhos rondavam os 30€ e 40€. Culpa dos distribuidores? Dos vendedores? Durante este período ganhei aversão.
Ultrapassada esta fase, dou comigo defronte de uma prateleira cheia de garrafas em promoção. Os topos de gama da casa estavam a ser oferecidos. Meti a mão no bolso, vi os trocos, e trouxe para casa algumas dessas garrafas.
Depois de provados e bebidos ficou cimentada a ideia que as distintas opções não valiam os centavos pedidos. As diferenças, entre eles, eram minimalistas, quase tudo sem fulgor e sem alma.
Este Homenagem saiu do copo preso pela madeira. O odor era intenso e directo. Sentiam-se os vernizes e as ceras. Uma maçada. Mais uma repetição. Adivinhavam-se momentos fastidiosos.
Foi preciso usar o pulso com firmeza para que largasse mais coisas. A madeira teimou em não sair da frente. Fumo, sugestões de cacau preto e grão de café estavam, agora, na mó de cima. Fui espairecer, sair dali. Ando farto de más compras. Maldita obsessão que não desaparece.
Tentei desesperadamente que ele acompanhasse, com dignidade, o almejado jantar de sexta-feira à noite. Emergiram, ainda, nuances vegetais, mas a mediania acercava-se fatalmente dele.
O sabor revelou sensações similares às do cheiro. Pesado, químico e amargo. Meia dúzia de notas queimadas algo despropositadas e mais nada. Aflitivamente trivial. Valeu, ainda assim, a acidez. O conteúdo da garrafa não baixou do terço.
Depois de uma semana de faina intensa acabar deste modo não augura nada de bom. Nota Pessoal: 13,5

Post Scriptum: Desejo arduamente que o Garrafeira de 2004 (que ainda está guardado) não alinhe pela mediocridade.

4 comentários:

Fisiopraxis disse...

Meu caríssimo amigo.
Lamento essa "entrada" no fim de semana.
Sei quanto, frequentemente, anseias pela sexta-feira da descompressão.
Desilusões com vinhos, todos temos,faz parte.
Ao contrário de um estimado cavalheiro nosso confrade que certamente não hesitaria em dizer:"Não bebo isto!Pia com ele!", sei que não és tipo para deitar vinho fora...sempre se lhe pode dar algum proveito...
Depois garrafas há muitas na cave. Venha de lá outra para animar a malta!

Pingus Vinicus disse...

Caro amigo, acontece.
Aliás, a única resposta que encontro para o facto é a seguinte: inabilidade (da minha parte) na análise do vinho.

Um abraço

Pratas disse...

Dessa promoção...

Esse foi o único que deixei na prateleira.

Dos que não deixei, tenho aberto apenas os HdM Tinto 2004 que gosto muito, adoro aquela especiaria... Ainda mais porque custaram cerca de 3€ se bem me lembro.

Falta agora abrir o Vitus e o Garrafeira, ambos de 2004. A ver vamos.

Uma coisa é certa, não me arrependo de os ter comprado.

Pelo que tenho lido um pouco por todo o lado, se calhar arrepender-se-à primeiro a HdM de nos ter vendido...

Nuno de Oliveira Garcia disse...

Não tenho uma ideia tão positiva assim dos Garrafeira. É certo que são vinhos bem feitos e com matéria prima seleccionada, mas são demasiados abrutalhados a meu ver. Vinhas novas, muitas madeiras, desejo de impressionar no primeiro momento... não sei...

Uma coisa é certa: o projecto afundou!

NOG