segunda-feira, abril 28, 2008

E assim foi em Vila Viçosa

Merece que se diga que foi uma bela tarde e uma reconfortante noite. Sem formalismos, longe de discursos elaborados. As perguntas e respostas saltavam, sem qualquer rigor, sem preconceito ou medo em falhar. Às vezes, encostado num pilar dos claustros, a conversa durava mais um pouco. Havia sempre uma estória para contar, para partilhar. Os vinhos, esses, acabavam por servir de acompanhamento. Não é essa a sua função?
No entanto, e por entre tantos dedos de conversa, deixo aqui o nome de alguns vinhos:

Alves Sousa Reserva Pessoal Branco (Douro) 2001.
Qualquer comparação com outro vinho branco é puro abuso.

Alves de Sousa Reserva Pessoal Tinto (Douro) 1999.
Pena o preço. Um tinto que continua cheio, perfumado.

Dona Berta Rabigato Reserva Vinhas Velhas (Douro) 2007.
Um branco fresco, crocante. Um belo vinho do Engenheiro Verdelho.

Quinta da Gaivosa (Douro) 1992.
Como um vinho envelhece com dignidade e sem perder requinte.


Redoma Branco Reserva
(Douro) 2007.
Escuso de perder tempo. Todos o conhecem.

Cortes Cima Reserva (Alentejo) 2004.
Moderno e impossível de resistir.

Altas Quintas Reserva (Alentejo) 2005.
Um alentejano das montanhas. Fresco, desafiante. Está ainda muito jovem.

Quinta da Vegia Reserva (Dão) 2005.
Elegante e fino. Uma paixão pessoal.

Quinta dos Roques Encruzado (Dão) 2007.
Mais um digno descendente desta família.

Flor das Maias (Dão) 2005.
Algo de interessante está para surgir.

Anima L5.
Diferente do L4, mas a marca da sanviogese continua bem vincada. Guardar ou partilhar com quem aprecia coisas boas.

Herdade PortoCarro (Terras do Sado) 2005.
Mais estrutura, mais vegetal. Menos imediato, menos consensual.


Niepoort Colheita (Porto) 1983.
Para beber e desfrutar.


Tudo isto nos Claustros do Convento dos Capuchos, onde o maestro do Copo de 3 (acredito que irá fazer um registo bem mais elaborado e digno que o meu) acantonou as hostes, vindas de todas as partes da Lusitânia.

domingo, abril 27, 2008

Rodeio Dão Colheita 2006

Depois do tinto, surge o branco (feito a partir de Encruzado, Bical, Malvasia-fina e Cerceal). Escuso de dizer, mais uma vez, que não sabia que existia. Iria repetir as mesmas palavras (que não é raro). Salto já para as (minhas) considerações.
Cor clarinha, brilhante.
Os aromas apresentaram-se com um registo demasiado discreto. Pouco esclarecedores e (sempre) muito frágeis. Tive que deixar subir a temperatura para entender, um pouco mais, o que andava por ali. Fui descortinando sugestões a ananás e eventualmente a calda de pêra, mas sempre numa pose pouco ostensiva. Mais intensidade não lhe faria nada mal. Senti, ainda, uns quantos cheiros a erva e a feno. Abusando do meu nariz, ou puxando pela minha imaginação, ficou no ar uma ténue tentativa para que o mineral fosse sentido.

Por muito que desse volta à cabeça, não conseguia descobrir neste branco do Dão um interesse por ali além. Tudo muito igual.
Os sabores, apesar de possuírem razoável frescura, reconheci pouca coisa. A sensação de enorme vazio era considerável. Mais uma vez, forçando a imaginação, o vegetal era o único sabor que esforçava-se para animar a boca. Final curto e de pouca memória.
Um branco que achei (muito) mediano. Olhando para o tinto, não tem nada haver. Nota Pessoal: 12

Post Scriptum:
Reparei, só agora, que tinham passado dois anos.

terça-feira, abril 22, 2008

Quinta do Abrunhal 2006

Apesar de ter nascido lá no meio da terra, nunca tinha olhado para ele de forma séria. Tendia sempre para outros vinhos. Achava que não traria nada de novo e serviria, apenas, para perder tempo. Puro engano!
Este tinto do Dão, proveniente da zona de Vila Nova de Tazem, é feito com o apoio do enólogo Rui Moura Alves. Quinta do Abrunhal é propriedade de um antigo sócio da Adega Cooperativa de Vila Nova de Tazem.
Desponta com fartas sugestões a morango, a framboesa e a cereja, a pastilha elástica com os mesmos sabores e (mais uma vez) a rebuçado bola de neve. Tentava apresentar-se com um ar modernaço. Sinceramente, não estava à espera (é um daqueles vinhos que estagia em tonéis de madeira). Os aromas aprofundaram-se com notas de cacau e um pouco de alcatrão (foi o que veio à cabeça).
Numa fase (bem) mais adiantada, salta qualquer coisa que fez lembrar casca de árvore. O mais espantoso, do meio de tudo aquilo, foi cheirar um razoável molho de ervas aromáticas. Escuso de referir nomes. Fiquei admirado.
Na boca mostrou ser um tinto sedoso e aveludado. Muito fresco e agradável. Os frutos envolviam-se com o tal cacau, formando um bloco coeso e espesso. Um leve fumo, meio discreto, sentia-se quase no fim. O álcool estava bem acorrentado ao corpo. Não se notava.
Sendo saboroso e guloso, este tinto do Dão não chateia, longe disso (tinha uma finura que não estava à espera).
Uma (autêntica) pechincha que merece ser conhecida.
Feito para ser bebido, enquanto está jovem (não acredito que tenha cabedal para durar muito). Para desfrutar. O resto são estórias. Nota Pessoal: 15

Post Scriptum: Se este vinho tivesse um pouco mais de chama, mais alma, acredito que poderia ser muito melhor. De qualquer maneira, gostei.

domingo, abril 20, 2008

Rodeio Dão Reserva 2002

Conheciam este tinto do Dão engarrafado pela Quinta de Darei? Vi-o no meio de uma prateleira, enfiado lá no fundo. Pediam por ele 7.99€. Trouxe-o, naturalmente, para casa. Não fazia a mínima ideia que a Quinta de Darei tinha enriquecido o seu portefólio com um Reserva de 2002 (engarrafado em Junho de 2004). Havia, da minha parte, muita curiosidade em perceber que vinho era este.
Austeridade surpreendente. Fechado inicialmente, com os cheiros da madeira a dominarem a seu belo prazer. Pouco evidente. Parecia querer desafiar. Desmontar as minhas fragilidades (que são muitas). Não podia ser. Era um tinto de 2002, o tal ano maldito.
Nas calmas, deixei que ele fosse despertando. Os frutos silvestres começam a desviar o efeito da madeira. Balsâmicos (há muito que não falo neles) e pinheiro refrescavam o que ia saindo de dentro do copo. Sempre com contenção e mantendo austeridade. Nada de floreados sem sentido e discursos inócuos.
Um ar perfumado por rosas e violetas solta-se quase no fim. E a madeira? Essa, volta na volta, oferecia-me cacau em pó, fumo, uma nesga de canela e caramelo.
Em termos gerais, os aromas sugeriam um bom nível de complexidade (não estava decididamente à espera). Existiram momentos em que tive de imaginar o que poderia estar ali.
O paladar era sadio. A acidez tinha sido colocada de modo que ele não perdesse frescura. Mostrava músculo e nervo enquanto andava pela boca. Tinha alma. Quando ia embora, ficavam sensações balsâmicas e tostadas.
Um tinto do Dão, com 12,6% de graduação alcoólica. Fiquei com a leve ideia que tinha estrutura, cabedal, para continuar a evoluir. Não deu qualquer indicação que o final estava para breve. Foi uma grande surpresa. Muito grande. Quando a madeira ficar mais controlada, acredito que será ainda melhor. É uma aposta minha. Nota Pessoal: 16

quinta-feira, abril 17, 2008

M. Chapoutier Belleruche 2005

Comprei este vinho sem saber o que era, o que valia. Sei, apenas, que custou quase 10€ (Intermarché de Gouveia). Foi, simplesmente, (mais) uma ténue tentativa para provar vinhos lá de fora. O único pensamento (que tive) era não gastar euros à toa. Dito de outra forma, perante o preço, a garrafa e a estética do rótulo achei que não teria um grande prejuízo se, eventualmente, o vinho fosse para o lixo. Acredito que seja um crime dizer isto (para vocês).
Referências sobre o produtor? Como sempre, andei pela rede a vasculhar informações sobre os responsáveis deste tinto. Se quiserem saber, saltem até aqui. No essencial, e de forma (muito) superficial, fiquei com a leve ideia que estava perante um produtor que trabalha vinhos na França e na Austrália.
Regressemos ao tinto em questão. Abre com fruta. Era (muito) evidente a sensação frutada. Cheguei a pensar que o iria colocar rapidamente de lado. Amainou, e ainda bem, por causa da frescura que foi saindo lá de dentro. Parecia (a frescura) ter uma certa inclinação para o vegetal. Tornou-se num fiel aliado. Conseguiu sustentar o temível peso da dita fruta. Depois, partindo do principio que irão perdoar-me os excessos, havia um odor, um cheiro, um aroma tendencialmente mineral. Achei curioso. Estava a enriquecer o vinho.
Por entremeio a força da fruta ressurgia, marcando o (seu) comportamento. Por ali ficou.
Os sabores eram frescos e frutados. Os taninos ofereciam uma leve secura às gengivas. A estrutura revelava interessante amplitude, com uma saborosa gordura. Sedoso. Final agradável.

Não é, para mim, um tinto do outro mundo. É, simplesmente, um vinho que veio de outra terra. Sabe bem, é guloso e pede sempre mais um gole. Se no rótulo não estivesse escrito Côtes-du-Rhône, diria que era de qualquer parte do mundo. Nota Pessoal: 14,5

terça-feira, abril 15, 2008

Síria D'Aguiar 2006

Outro Síria ou Roupeiro como dizem cá para baixo. Pessoalmente, não sabia que este D'Aguiar era feito a partir desta casta. Foi ao girar a garrafa que mirei no contra-rótulo o nome da uva.
No início o odor, que rodopiava em redor do copo, sugeria pêra e um pouco de maçã. Libertou, após algum tempo, umas quantas flores brancas. Entretanto foi largando, nas calmas, alguns toques a erva fresca que combinavam com um pouco de feno. Era como se a juventude e a velhice estivessem entrelaçados.
Não encontrando melhor comparação, uma leve sensação a pimenta branca (um abuso) e folha de figueira proporcionavam ao vinho um bom nível de interesse.
Nunca entrou pelos caminhos da exuberância. Conseguiu manter uma saudável contenção e discrição.
De relance, reparei que vagueavam pelo ar meia dúzia de gomos de tanja e laranja.
O paladar, apesar de fresco, era curiosamente circunspecto. Usava a acidez, apenas, para manter o vinho a mexer. Os sabores andavam entre o vegetal, a pêra (mais uma vez) e um pouco de casca de laranja. No final ficava qualquer coisa que lembrava a lima.
Um vinho branco muito aprazível, calmo. É daqueles que se vai bebendo sem notarmos por isso.
Para o preço que pedem (a rondar os 3€) não está nada mau. Nota-se, tal como os seus parentes da Quinta do Cardo e da Coop de Figueira de Castelo Rodrigo, que foi feito para beber na juventude. Guardá-lo não acrescentará nada. Nota Pessoal: 14

segunda-feira, abril 14, 2008

Quinta do Carvalhão Torto (Dão)

Quando caminhava pela estrada, mirava de relance um cartaz de dimensões generosas. Ao passar pelo sítio, reparava que no outro lado da rua, estava a pequena adega da Quinta do Carvalhão Torto (Nelas). Aspecto limpo, simples e acolhedor. Nunca consegui parar lá. Os destinos traçados levavam-me a seguir caminho. Na ida, chegar à casota. Na volta, regressar ao buliço da grande Lisboa. Adiei sistematicamente a prova daqueles vinhos.
Numa ida a um pequeno super lá da terra, mesmo em frente à casa, ao olhar para a secção das bebidas, encontrei três vinhos da tal Quinta. Os preços navegavam entre os 5€ e qualquer coisa e os 4€ e qualquer coisa. Um Reserva e dois bi-varietais. Peguei num saco e levei-os dali. Provei-os na sala dos fundos. Iria estudar o que estava dentro de cada garrafa.

A primeira a ser vasculhada continha um tinto (de 2005) formado por Touriga Nacional&Jaen. 12,5% de graduação alcoólica. Valha-nos isso.
Relativamente fechado no início. Alguma dificuldade para entender o que tinha em frente. Não sabia se estava perante um tinto sisudo ou, eventualmente, com poucos atributos. A prova foi lentamente alegrando com cheiros tendencialmente silvestres, de intensidade ligeira, com uma discrição algo exagerada. Sei que estamos domesticados por vinhos super exuberantes. Acredito que esse facto possa toldar, ou tolher, as nossas capacidades de percepção.
Apesar, da ligeireza, destrincei umas quantas amoras e groselhas. A caruma surgia por todo o lado. Marcou fortemente o vinho. Deu-lhe um certo toque regional. Durante minutos, estes foram os aromas que apanhei.
Alegrou mais um pouco
, na parte final, com flores (tinha lido o rótulo).
Na boca os sabores pareceram-me parcos. Mantinha a matriz silvestre. Acidez pedia urgentemente por comida com (alguma) gordura. Ganhou, um pouco mais, com umas rodelas de chouriça. Insuficiente. Nada que o levasse para muito longe. No final ficava, apenas, a acidez.
Um tinto do Dão que trouxe poucas novidades. Precisa de mais alma. Primeira etapa concluída. Nota Pessoal: 13

No segundo varietal, a Jaen surge, agora, misturada com Alfrocheiro. A graduação alcoólica passa para os 13% e o ano de baptismo é 2004.
Fiquei com a leve ideia que era diferente. Mais redondo, mais quente. Seria o alfrocheiro a influenciar o comportamento?
Mostrou um estilo mais consensual, menos regional. Sentia-se o sumo a escorrer pela goela. Algumas gomas davam-lhe um ar urbano. Alguma passa e um toque de caramelo (não consegui encontrar outra comparação) intensificavam o lifting.
Apesar da mudança de atitude, conseguiu manter-se fresco e vivo, acabando por revelar o local de onde veio. O silvestre marcava, mais uma vez, presença (tanto nos cheiros, como nos sabores).
Na boca senti um conjunto de sabores que puseram-me a pensar na menta, na hortelã. Em certos momentos, fizeram-me recordar o chocolate after-eight. Impressão (ou imaginação) minha.
Um tinto com maior intensidade (sem perder delicadeza), que conseguiu dar o salto para o outro lado. Gostei. Nota Pessoal: 14

Post Scriptum: O Reserva ficará para outra altura, se houver tempo. Agora vou continuar a tirar as roupas da mala.

quarta-feira, abril 09, 2008

Tuella 2005


Para ser franco, com vocês, nunca lhe dei atenção. Parecia-me que não tinha alma, que servia, apenas, para encher prateleiras de supermercado. No entanto, após a mudança de rosto, isto é de rótulo, acreditem que fiquei influenciado. Assumo que o rótulo, em certos casos, pesa na decisão (por muito que digam o contrário). Agora tem um ar afrancesado. Parecia que tinha vindo do chateaux. Acabei por levá-lo para casa. Um tinto do Douro (engarrafado por Symington) que custou pouco mais de 5€.
Fiquei admirado com a presumível sobriedade que apresentou na fase inicial. Conseguiu, durante algum tempo, apresentar contenção na forma e no conteúdo. Senti um curioso fumado e algumas cavacas de carvão (não consegui encontrar outra comparação). Original. Não contava, longe disso. Esperava qualquer coisa um pouco mais evidente, bem mais doce.
A fruta, que fatalmente acabou por surgir, mostrou-se fresca, viva, com um nível de maturação (muito) decente. Verdade seja dita, e sem qualquer vergonha, tive a sensação que alguém tentou dar ao vinho um (certo) ar de aristocrata.
Voltando ao assunto. A fruta que saiu, cá para fora, fazia-me recordar morangos e framboesas. Lá no fundo, boiavam uns quantos cheiros a rebuçado bola de neve.
Os sabores, apesar de ligeiros (vocês provavelmente dirão: sem estrutura), estavam bem envolvidos. Saboroso e correcto. Final frutado, sem enjoar. Com boa frescura.
Em jeito de remate, um vinho que surpreendeu pelo equilíbrio que aparentemente tinha. Não é um estrondo de vinho (longe disso). Foi feito para ser bebido enquanto as rugas não o atacam. Valeu pela curiosa moderação que mostrou. Irei prová-lo mais uma vez. Confirmarei se fui enganado pelos meus sentidos ou não. Nota Pessoal 14

domingo, abril 06, 2008

Cortes de Cima 2005

Costuma-se dizer por aí que o Produtor Cortes de Cima exemplifica com os seus vinhos o estilo que se adequa melhor ao mercado lá de fora. Se quisermos saber o que, eventualmente, poderá gostar um anglo-saxónixo (e não só) é beber um tinto deste produtor da Vidigueira.
Aqui entre nós, digo-vos com toda a franqueza que não sou um consumidor habitual deles. Contam-se pelos dedos de uma mão as vezes que tomei uns tragos. Em conversa entre amigos, reparava (e muito) que se falava do tinto Cortes de Cima. Eu mantinha-me calado.
A cor revelou-se profunda, intensa, muito escura. Na moda.
Os cheiros que largavam do copo, conseguiram revelar uma elegância que sinceramente não estava à espera (por causa da tez). Fruta, baunilha, chocolate preto e algum caramelo eram curiosamente perfumados por umas quantas flores. Apesar de um registo aparentemente doce apresentava frescura (digna de registo), que ia aliviando. Mesmo aquecendo, permitia-me que cheirasse (e bebesse) sempre mais um pouco. Foi evoluindo para fumo, tabaco.
Na boca os sabores, tal como os aromas, não enjoaram (tabaco, chocolate, fumo, fruta). Estava limpo, sadio. Sentia equilíbrio. Deu-me a ideia que tinha tudo no sítio. A receita foi bem aplicada.
Um vinho que agradou (muito).
Apesar de parecer-me directo, conseguiu não fartar. Quando é assim, porquê dizer mal? Nota Pessoal: 15,5

Post Scriptum: Para o preço que custou (mais ou menos 10€) é uma boa opção. Será bebido muitas vezes por mim. A graduação alcoólica, a mesma deste, parece que não se nota tanto. Curioso.

quarta-feira, abril 02, 2008

Altas Quintas Crescendo Branco

A família Altas Quintas recebeu mais um familiar. Altas Quintas Crescendo Branco 2007.
Abriu, sem aviso, com banana (Sem mais, nem menos). Esteve (bem) presente durante toda a prova. Aqui entre nós, nunca tinha sentido esta sensação (era muito evidente). Quer dizer, então, que das outras vezes provavelmente andei a inventar.
Saltaram
, ainda, uns pedaços de pêra e pêssego. Todos eles formavam um grupo curtido e jovial. Erva bem molhada (tinha acabado de regar o meu quintal) e maçã ácida (aquela que é verde) davam-lhe frescura em toda a largura. Boa sugestão a folha de figueira. Alguma menta transmitia um pequeno toque picante. Vibrante.
Os sabores revelaram uma componente vegetal muito sadia. Voltou a ser fresco, crocante. Abusando, quase estaladiço. Deixou na boca uma sensação tropical.
Um branco simples e directo, mas nada simplório. Cativante.
Irá fazer boa parelha com uns belos petiscos ao fim da tarde. Ajudará a cavaqueira entre amigos.
Os 13,5% de graduação alcoólica estão bem disfarçados. Como início, está porreiro. Nota Pessoal: 14,5

terça-feira, abril 01, 2008

Casaleiro Syrah 2006

Quem tem algum gosto nisto, tenta encontrar o melhor vinho ao preço mais baixo. Sempre que sai nos escaparates algo que aparentemente cumpre o objectivo, dou comigo a pegar no saco e partir para a garimpagem. O objectivo é procurar a pérola.
Num painel com vinhos syrah's o Casaleiro Syrah Reserva 2006 colocou-se num lugar de destaque por causa do preço e da classificação que obteve. A mim, como consumidor, cabe-me apenas a função de comprá-lo e prová-lo. Aferir se vale a pena.
Ao cair pelo copo adentro, notaram-se fartos cheiros a fruta madura. Ameixa e amora marcavam fatalmente o vinho nesta fase. A fruta brotava por todo lado. Doce e suculenta. Logo aqui, reparei que não iria ficar indiferente.
Nos minutos seguintes, surge o chocolate, nada amargo. Tabaco, baunilha e caramelo ficaram com a tarefa de fechar a trupe. Pelo meio, andava a tinta da China. Por estranho que possa parecer não chegou a incomodar o suficiente (o que molestou acabou por ser outra coisa). Face franca e directa.
Os sabores, apesar do peso que possuíam, da corpulência que mostravam, conseguiram revelar uma frescura interessante (cuidado para não aquecer). Desde a entrada ao fim, mastiguei um bloco constituído por fruta e por chocolate. Levemente temperado pela especiaria (sugestão da casta). Guloso e guloso.
Foi decididamente um vinho que soube bem. É certo que falhou na complexidade. Não será, também, para grandes guardas, mas é impossível não gostar dele (quem não gosta da voluptuosidade?).
Este syrah ribatejano merece a pena ser conhecido (literalmente). Mas cuidado com o álcool. Ao fim de uns valentes tragos podemos perder discernimento. Ganharia se eliminasse alguns excessos. Será possível? Nota Pessoal: 15

Post Scriptum: Se tivesse um rótulo bem diferente, acredito que saltava das prateleiras do fundo. O conteúdo está na moda.