quarta-feira, março 12, 2008

Casal de Loivos

Estou farto de ser confrontado com contradições enófilas (do tipo: não acerto uma). São inúmeros os momentos em que as minhas afirmações são contrariadas, desmontadas. Faz parte do meu crescimento e da minha aprendizagem como consumidor. Aliás, seria curioso observar os nossos críticos darem a mão à palmatória. Provavelmente ganharíamos muito mais e olharíamos para eles como seres deste mundo e não de outro qualquer, detentores de capacidades quase extra-sensoriais, inatingíveis ao comum dos mortais.
Muito recentemente bebi um Douro que estava encalhado na minha garrafeira. Comprei-o na altura como se fosse a 2ª marca de Cristiano Van Zeller. Casa de Casal de Loivos (de 2003).
O tinto estava (bem) marcado pela barrica. As sugestões a madeira estiveram sempre presentes. Nunca abandonaram o local. A priori, tinha aqui um empecilho, algo que iria irritar tanto o nariz, como a boca. Incrivelmente nada disso se passou. Pura contradição. Quantas vezes falámos no excesso de madeira que os vinhos têm?
Baunilha, caramelo, coco, chocolate branco e aparas exóticas (pela ordem que entenderem) deambulavam pelo copo. Sabiam bem. Em certos momentos, roçavam a gulodice. Puxavam por mais um trago. Estranho.
Os sabores, que partilhavam o mesmo carácter dos aromas, conseguíram apresentar um equilíbrio muito interessante. Curioso dueto entre secura e frescura. Gole, atrás de gole, foi-se bebendo quase sem dar nota. Nota Pessoal: 15,5

É caso para dizer: E quando a madeira sabe bem?

2 comentários:

AJS disse...

Carissimo
Esse vinho quando bebido naquela que deve ser uma das melhores vistas do mundo faz-nos pensar no olimpo.AJS

jose maria painha disse...

Caro Pingus Vinicus
Já alguns meses que estava para postar um cometário no seu blog. deixe que lhe diga a admiração que tenho pelo seu trabalho em redor dos vinhos.Porque ao contrário do que dizem alguns boçais o vinho não é só para iluminados. Se assim fosse não seria um negócio de sucesso. O seu trabalho é um sinal da democratização do consumo de vinho de qualidade em Portugal, o qual é um sinal de desenvolvimento e modernidade, é sinal que a nossa geração entre os 30 e os 40 quebrou definitivamente as amarras das zurrapas e do vinho de tasca.
Continue com o seu trabalho é sempre de louvar trazer a este forum vozes tão diversas unidas em torno de um interesse comum.