sexta-feira, janeiro 11, 2008

Senhora Companhia

Andei longe. O silêncio acabou por abater-se para estes lados. Nada de mais, nada de grave. Houve a necessidade de tomar conta de outros imbróglios. Vicissitudes da vida. Tratados esses imbróglios, arquivados alguns assuntos, é tempo de voltar e continuar a traçar mais umas quantas linhas sobre o vinho. Estranho, para vocês, será verem-me regressar com um licoroso branco (existe um tinto) produzido pela Companhia das Lezírias, debaixo do braço. Um vinho elaborado com a casta vital, fermentado em ânforas argelinas (Curioso. O que são?) e envelhecido em cascos de carvalho (retirei estas informações do site da Companhia. O contra-rótulo nada refere).
A face possuía nuances alaranjadas carregadas, com uns quantos laivos acastanhados pelo meio.
O cheiro que soltou estava carregado de sugestões meladas. A canela, que deambulava pelo copo, salpicava a casca de laranja e uns quantos gomos de tangerina. Aqui e além, pareceu-me que deslumbrava uma avelã, uma noz, uma amêndoa. Bem arranjadinho, nada desprezível. Uma pequena aragem proporcionava uma saudável (e desejável) frescura. Em certos momentos, parecia-me muito com o outro. Com os olhos tapados era capaz de afirmar que era moscatel.
Os sabores eram adoçados pelo mel (demonstrou, portanto, coerência com os aromas), onde sensações a farripa de laranja misturavam-se com uma pequena mão de frutos secos. Ao acenar fez lembrar um conjunto de sensações interessantes. Não foi inócuo. Nota Pessoal: 14

Não temos aqui nada de extraordinário. Mas temos um vinho curioso, bem feito, onde se nota aprumo e limpeza (perdoem-me este abuso). Não envergonha. Só gostaria de saber como pode custar apenas 2,99€? Dá para pensar.
Vale a pena arriscar. Se gostarmos, ainda bem. Se não, o prejuízo é reduzido.

Post Scriptum: Disparando em outra direcção. Manifesto aqui a minha desconfiança relativamente ao novo aeroporto. Continuo sem saber se, de facto, precisamos de uma estrutura daquela envergadura. Olhando para o assunto, com os olhos de leigo, de povo, parece-me que estamos perante um pobre que vai investir mais um pouco da sua vida num luxo.
Depois terei que me preparar para a
betanização desejada (pelos autarcas). Em redor, surgirão tapetes de cimento. Enfim.

3 comentários:

Um gourmet ( de meia tigela) disse...

Boa noite Pingus

Agradeço o favor de me dar uma dica do local onde poderei comprar esse licoroso, sem ser na loja da Companhia.

Pingus Vinicus disse...

Gourmet reparei que no Continente havia por lá umas quantas garrafas.

Pratas disse...

Partilho a mesma desconfiança em relação ao Aeroporto...