terça-feira, abril 10, 2007

Casa de Santar Reserva Branco 2006

Estou novamente nos vinhos brancos, novamente no Dão. Não, não julguem que é publicidade, ou parcialidade. É fruto das circunstâncias de ter passado alguns dias lá em cima. Nada mais.
É facto inegável que a Dão Sul é uma empresa muito curiosa. Não deixa de ser interessante verificar que falamos de um fenómeno do interior que consegue competir em quase todos os mercados, internos e externos. O salto, a inovação, o arrojo têm sido exemplares, às vezes chocantes. Esta empresa possui quintas espalhadas por todo o lado, de Norte (Douro) a Sul (Alentejo), sem nunca abandonar a terra onde nasceu. Pelo contrário, tem vindo a investir mais. Foi num desses investimentos que a empresa Dão Sul puxou para sua alçada a tradicional Casa de Santar. A área conjunta de vinha da Dão Sul e da Casa de Santar deverá atingir 250 hectares, o maior projecto do Dão". Tirei daqui a informação.
A Casa de Santar que está repleta de história, de glamour "Foi conhecida como Quinta do Casal Bom a residência que D. Sancho II elevou a senhorio, doando-a a um dos seus ricos homens distinguidos na guerra. Aquela que, hoje, é reconhecida como Casa de Santar, vem já de 13 gerações: Mellos, Pais do Amaral e Castelo Branco.
Inicialmente construída segundo uma planta em "L", no ano de 1678, onde, actualmente, se pode encontrar a cozinha velha e a sacristia. Mais tarde foi-lhe acrescentada uma parte que se estende até à via pública. Os jardins são considerados como dos mais belos da Beira Alta, apresentam-se sobre uma sequência de buxos que termina num lago do século XVIII. Centraliza as atenções, o chafariz com a data de 1790, denominado "Fonte dos Cavalos", onde estão portados os quatro cavaleiros trajados ao rigor do século XVII. Cada um destes cavaleiros representa cada uma das famílias, cujos nomes vingam o esplendor da Casa. Em frente à Casa, o Chafariz da Carranca impõe-se como Brasão de Armas da Casa.
De acordo com Pedro de Vasconcellos e Souza, herdeiro da Casa de Santar, as gerações sempre se dedicaram a cultivar, de forma diversificada, a quinta. No entanto, o vinho sempre foi a alma da família.
No interior, a capela do mesmo século, foi consagrada a São Francisco de Assis. Os seus tectos e paredes remetem ao século de construção, numa decoração misturada com granito e pedra da região. Nos dias de hoje, a Capela apenas é utilizada em eventos de membros da família. A cozinha velha data o ano de 1690. Insere-se, nesta divisão, uma fonte natural de granito da época que, segundo a lenda, quem beber da água que daquela fonte brota, terá bom casamento. Não faltam, nesta cozinha, as colecções de panelas de cobre e uma lareira em granito da mesma época.
Numa outra divisão da Casa encontra-se exposta a pequena colecção de quatro coches e uma liteira - relíquia do século XVII - que foram preservadas ao longo das gerações.
Esta Casa, que foi uma referência ao longo dos séculos, permite viajar no tempo. Poder oferecer um ambiente secular, através dos jardins e de todas as particularidades da estrutura, é uma mais valia, e a família herdeira tem consciência disso." Um canto do céu, na terra. Podem ler mais neste local.
No que respeita aos vinhos não nos podemos esquecer dos Casa de Santar tn e br bem feitos, equilibrados, vendidos a preço muito justo. Espalhados por todo lado. Foram, durante muito tempo, um excelente porto de abrigo (para mim). No últimos anos esta casa andava meio morta, meio parada. Sem grandes novidades, com os Reservas meios estranhos, sem alma e sem chama. Longe dos saudosos 1996 e 1998. Pelo meio, apenas um Touriga Nacional de 2000 que gostei muito. Desta vez, a curiosidade despertou ao reparar que existia um Reserva Branco 2006. Terá sido influência da malta da Dão Sul?
Falemos, então, um pouco do líquido em questão. Cor cristalina, límpida, muito brilhante. Os aromas estiveram inicialmente muito presos pela madeira. Para soltar as correntes, tomei a opção de decantar parte do vinho. Permitiu uma evolução muito mais interessante, possibilitando que a fruta fosse aparecendo. Sugestões de erva verde, minerais, bem como rasgos de aromas florais iam surgindo em camadas um pouco sobrepostas. Os toques da barrica, apesar de mais discretos, teimavam em mostrar-se periodicamente. Sinais de juventude? Acredito que sim.
Na boca, gordo, robusto, amendoado. A acidez segurava-o pelo fio da navalha, não o deixando cair para o abismo. Pareceu-me estar frente a um vinho branco feito para envelhecer (com dignidade). Ainda está novo, muito nervoso e irrequieto. Falta equilibrar a frescura, a fruta com a madeira (ainda muito evidente). Irá ganhar harmonia se o deixarmos amadurecer na garrafa durante mais alguns meses. De qualquer modo, um belo vinho. Já me ia esquecendo, usem um copo de tinto, largo. Os ganhos são consideráveis. Nota Pessoal: 15,5

1 comentário:

Pingamor disse...

Que grande novidade Rui!
Já está à venda nos Hipers?
Abraço.