quarta-feira, abril 26, 2006

Duelo Ibérico


No mês de Março de 2006, foi realizado uma prova cega, onde entraram alguns vinhos Douro e do Duero. O Painel foi constituído por Francisco Barão da Cunha, Oliveira Azevedo, João Quintela, Paula Costa, Jorge Sousa e Rui Miguel. Ficam aqui algumas considerações sobre os vinhos em prova:

1º Lugar: Pintas 2001, 14,5%. Douro.
Impacto aromático muito cativante e envolvente. Nuances de fruta amparado pelo eucalipto e café. Na boca entrava com dignidade e muita personalidade dizendo que não era um senhor qualquer. Mostrava-se com corpo, sem exageros, mas com presença. Os taninos estavam bem envolvidos pelo corpo. Final saboroso deixando um rasto bastante agradável. Grande nível. O que me agradou, neste vinho, foi o nível de complexidade, o desafio que ele me ia oferecendo e a qualidade que mostrou. Um exemplo de verdadeira elegância. Parece que percebi a verdadeira definição de elegância...
Nota do Grupo: 17,41
Nota Pessoal: 17,5

2º Lugar: Quinta Sardonia 2003, 14,5%. Duero.
Uma boa escala de aromas, num registo elegante, calmo. Tudo bem feito, bem alinhado. Começou fresco, sentindo-se fruta envolvida num ambiente vegetal, fazendo lembrar fetos, mato, caruma. Com o aumento da temperatura surgiram impressões de compota juntamente com café e alguns amanteigados (aliás esta nuance foi tema de conversa). Na boca era guloso, afinado e redondinho. Deu a ideia que já está feito. Foi perdendo, no entanto, alguma frescura à medida que a refeição foi avançando e a temperatura aumentando, tornando-se algo enjoativo, com os tais amanteigados a marcarem presença. Um estilo...É necessário tomar alguma atenção ao tempo de abertura e temperatura de serviço, modo a obter o melhor aproveitamento dele. Nota do Grupo: 17,1
Nota Pessoal: 17

3º Lugar: Numanthia 2002, 14,5%. Toro.
Num perfil algo diferente do anterior. Mais pujante, mas sem se tornar bruto. Talvez com mais personalidade. Inicialmente algo incaracterístico, pouco definido. Precisou de tempo para mostrar boa fruta, de cariz vermelho. Depois apareceu café, folhas de chá, rebuçado. Na boca os taninos e acidez estavam algo elevados, mas o corpo conseguia aparentemente dar conta deles. Algo difícil, mas também desafiante. Final longo e com boa memória. Foi, se calhar, o vinho que mais ganhou com a comida.
Nota do Grupo: 17,1
Nota Pessoal: 17

4º Lugar: Quinta da Leda 2003, 14%. Douro.
Não há grandes palavras para este vinho. Simplesmente o vinho que menos discussão criou. Não por causa da falta de qualidade, mas pela consistência que mostrou, pelo equilíbrio. Uma receita que muitos enófilos conhecem. Consensual e directo. Aromas de carvão, grafite, conferindo inicialmente um ambiente mineral. Depois evolução para tostados, chocolate que enriqueciam o vinho. Na boca é que se mostrou algo magro, algo discreto. Acredito que tenha sido prejudicado pelos monstros que lhe faziam companhia. De qualquer maneira um vinho que ganha pela excelente relação qualidade preço. Mais palavras para quê. A sua presença nesta prova foi pensada e tinha algo de provocatória.
Nota do Grupo: 16,8
Nota Pessoal: 16,5

4º Lugar: Leda Viñas Viejas 2001, 14,5%. Castilla y Leon.
Foi um vinho pouco consensual. As opiniões divergiram entre o vinho com qualidade e o vinho desequilibrado e sem grande chama. Pessoalmente encontrei uma boa escala aromática, mostrando boa complexidade. Frutos silvestres envolvidos em ambiente balsâmico. Na boca sentiam-se os aromas. Taninos vivos e acidez presentes, mas sem criar mágoa às gengivas. Bom final.
Nota do Grupo: 16,8
Nota Pessoal: 17

5º Lugar: Quinta do Castro Vinha da Ponte 2000, 14,5%. Douro.
A grande desilusão da noite. Um vinho algo bruto, aparentemente agreste. Inicialmente muito fechado, onde se sentia/notava o álcool. Com o aumento do tempo de abertura, surgiram alguns torrados e couros. Na boca entrava com rudeza. O corpo parecia não ser suficiente para envolver os taninos espigados e a acidez vincada. Foi necessário muito tempo de abertura, demasiado até, para dar prazer. Tempo que se esgotou ao fim de 4/5 horas de abertura...Será que este vinho alguma vez vai dar a volta por cima? Será um estilo? Ou eventualmente estará a dormir?
Nota do Grupo: 16,1
Nota Pessoal: 15,5

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