quinta-feira, março 30, 2017

Bacalhôa Superior 2002: Epá, confirmo que é mesmo bom!

Num registo mais ligeiro e para encerrar a jorna. Não vos irei chatear mais com bacoradas, aqui no blogue. Só para a semana. Só se surgirem, de um momento para o outro, novidades sobre o que vai acontecer nas velhas e novas revistas. Estou ansioso por saber quem são os plantéis. Aguardemos, então, pela saída de fumo da chaminé.


Epá malta, tenho que assumir publicamente que estou completamente de acordo com o pessoal que trabalhava na antiga RV, quando disse que isto era um belo moscatel. E é mesmo, confirmo (ehehehe). Não sei se vale dezoito valores. Não faço ideia e nem me interessa. O que importa, de facto, é que é um moscatel do caraças, que consegue conciliar de forma quase irrepreensível a doçura e a frescura. 


Guloso, sem ser enjoativo. Com uma panóplia de aromas e sabores que cativam, de uma forma quase chocante. Dá ideia que nunca acabam. Impossível ficar indiferente. O melhor disto tudo é que estamos perante um vinho que custa qualquer coisa como dezasseis euros. É caso para dizer que temos aqui um vinho para comprar até mais não. É que isto é mesmo bom. E agora divirtam-se.

quarta-feira, março 29, 2017

PAPE: Pequenas Considerações

São breves notas que servem essencialmente para registar e partilhar aqui no blogue a prova e o momento. Para mais tarde recordar.
Álvaro Castro é figura incontornável no Dão. Goste-se ou não da personagem, temos que assumir que desempenhou e desempenha um papel fulcral, a par de outros, na renovação dos vinhos da região. Um experimentalista que consegue surpreender-nos colheita após colheita, com uma panóplia de vinhos cheios de carácter e personalidade. Tem sempre algo novo para nos apresentar.


PAPE, para os mais distraídos, é conjugação das iniciais referente a Passarella e a Pellada. Um vinho que criado a partir de parcelas distintas em que a Touriga Nacional (Vinha do Outeiro - Passarella), a Baga e Tinta Roriz (Pellada) marcam presença. A primeira colheita deste vinho foi em 2002, que reportei aqui há muitos anos. Recordo que foi um vinho muito marcante na altura. A voracidade de consumir tudo e mais alguma coisa, naqueles tempos, fez com que não guardasse nenhuma garrafa para mais tarde recordar. Coisas de glutão.



E que ilações podemos tirar de uma prova em que se provaram todos os PAPE, com a excepção da colheita inicial? A conclusão é muito simples e fácil de tirar. Estamos perante um vinho que se caracteriza essencialmente pelo equilíbrio a todos os níveis. A fruta e a madeira, sustentados por um nível de frescura exemplar, combinam de uma forma bastante harmoniosa. Um vinho que ganha ainda mais elegância com o amadurecimento em garrafa, como deve ou deveria ser um vinho do Dão.
É claro que existiram diferenças entre colheitas, mas que pessoalmente não foram significativas, não foram suficientes para dizer que esta ou aquela se apresentava a um nível muito abaixo ou muito acima das restantes. Centrei-me no global, no geral, procurando pontos em comum. E eles eram muitos, o que reforça a ideia de termos aqui um vinho coerente e consistente. É caso para dizer que os trinta euros que custa sensivelmente este vinho estão muito bem empregues.


Nota final para o tipo que tem estas ideias. Mais uma vez teve a capacidade para organizar mais uma prova deste calibre. Puro trabalho de prospecção e enorme dedicação aos assuntos dos copos. Salvé pá!

terça-feira, março 28, 2017

É claro que gostamos de tudo!

Outra das modas que se instalou é o eclectismo. É obrigatório estar disponível para beber e comer de tudo, para assim compreender melhor e saber mais. É claro que também é (muito) importante gostar desse tudo e dizê-lo, mesmo que eventualmente não se goste de facto. Mas fica bem dizer que se entende, mesmo que lá no íntimo se pense precisamente o contrário. Um pouco à semelhança do esforço que fazemos para evitar qualquer sinal exterior de desagrado, vulgo careta, que nos denuncie, quando engolimos algo que não gostamos.


Mas é bonito ser ecléctico. Fica bem e parece bem. Dá assim um ar de gajo conhecedor, ponderado e equilibrado. Com mente aberta, mesmo que lá no fundo lhe tenha custado a engolir.

segunda-feira, março 27, 2017

Rufia

Não me venham com histórias, de gente bem comportada, mas uma boa briga faz bem. Alivia o stress. Numa boa briga, temos a hipótese de deitar cá para fora tudo o que nos incomoda e que espicaça a úlcera. É literalmente tirar o pipo da panela de pressão e aliviar. Ficamos sem filtros, dizemos o que nos vai cá dentro, sem pensar nas consequências. No calor da briga, fica-se cego, em que o lado mais instintivo prevalece sobre o que é socialmente aceite. Só mais tarde se avaliam as mazelas. Uma boa briga, tem um enorme efeito terapêutico.


Faço o mesmo paralelismo com os vinhos. Gosto (muito) de vinhos que provocam um tipo, que instigam. Que brigam, que se comportam como uns autênticos Rufias. Irritam-me, sobremaneira, os vinhos super bem feitos, super consensuais, super exuberantes, mas despedidos de alma e carácter. Um pouco como aquelas modelos, que só têm interesse quando a sua boca está fechada. Depois de aberta...


Fico possuído, quando me dizem que determinada porra é do caraças, quando muitas vezes não passa simplesmente de um vinho de receituário. Feito a medo, com medo de ser diferente. São como aqueles putos que dizem sempre sim ao professor. São bem mais apaixonantes os brigões, os malandros, os que contestam. São indomáveis. Possuem aquela coragem que nos falta e que invejamos. Apenas não os queremos perto de nós.

domingo, março 26, 2017

A Ditadura do Lacre

A ditadura do lacre. Quando é em excesso, perde a graça. Assim do nada, começamos a ver uma porrada de vinhos com lacre no gargalo. O lacre parece ser considerado como algo essencial para que um qualquer vinho transmita mais classe. Chega-se ao exagero de lacrar espumantes. Algo que não tem qualquer sentido, parece-me. 


Epá malta controlem lá a quantidade de vinhos com lacre no gargalo. Escolham mesmo só um vinho ou outro. Lacrar a garrafa não tornar melhor o vinho. Ou torna? Ou é só mesmo uma questão de moda, para não ficar atrás do vizinho? 

sexta-feira, março 24, 2017

Tive que reforçar o stock de Pipocas

Epá acordei estremunhado com o barulho de tanta novidade. Entre a Velha Revista de Vinhos e a Nova Revista de Vinhos (que se vai chamar Vinho - Grandes Escolhas ???), a sacra-aliança entre a Masemba e a EV-Essência do Vinho e o fim da revista Wine, devo dizer que as coisas estão muito giras lá no meio do mundo profissional. Aquele que vive declaradamente à conta do vinho. 
Às claras, agora, vamos observando as mudanças que vão acontecendo. Nomes velhos, nomes novos. As mesmas equipas, outras equipas. Eventos que vão ser novos em locais antigos, eventos antigos que irão acontecer, quiçá, em novos locais. Até se falou de uma possível reedição da velha e saudosa reconquista feita pela malta lá de cima. 
Tudo isto se passa, vejam lá malta, no meio das redes sociais. Aquele local onde costumamos lançar uma boca. O nosso recreio. De um momento para o outro, vemos distintas figuras a marcarem terreno, a largarem piadas (alguns precisam de afinar a coisa), a partilharem links, a mandarem bocas para aqui e para ali. E eu que pensava que estas salganhadas eram um privilégio só nosso. Está mal. Afinal eles divertem-se da mesma maneira que nós. É giro. É muito giro, devo dizer. 


Apesar de ser uma tarefa demorada, não deixa de ser engraçado, também, espreitarmos para ver quem dá os parabéns a cada um dos lados e os acompanha com votos de sucesso e de fidelidade eterna. Mais giro, ainda, é vermos que existe uma porrada de malta a felicitar e a fazer juras de amor em ambos os lados da barricada. Outros simplesmente metem like em todos e mais alguns. Há que prevenir. Tenho que vos confessar que tive de reforçar o meu stock de pipocas, porque vamos ter muitas sequelas, pois o enredo parece ser denso. Vamos ver se a capital do império vai aguentar com tudo isto. É muita gente junta. Agora sim, bom fim de semana, que amanhã vou beber copos. 

quarta-feira, março 22, 2017

Quem está mal que se mude...

Há dias a matutar com isto. Uma das grandes falhas para quem gosta de vinho em PT é a quase ausência de arrojo na opinião. Comenta-se e critica-se muito pouco. O que se faz, cada um à sua maneira, é descrever, com mais ou menos flores e muito superficialmente, este ou aquele vinho, esta ou aquela apresentação, esta ou aquela situação, este ou aquele lançamento.
Quando se esbarra contra assuntos de maior melindre, a tendência é para virar a cara e assobiar para o lado. Queima. Ficamos resumidos a ovações. Ovaciona-se tudo, dá-se os parabéns por tudo e por nada. Fica-se com a ideia que vivemos numa dimensão awesome.
Fico com a impressão que a malta, seja ela qual for, dá-se mal com o comentário, seja ele esclarecido ou não, seja ele especializado ou não. Dá-se mal, acima de tudo, com o comentário que não seja concordante, que não esteja enquadrado pela bitola da maioria. Provoca incómodo e é considerado incendiário e gratuito. Aprecio, devo dizer, quem discorda e que no final tem coragem para beber um copo, sem rancor pelo o seu contendedor.


Como consequência, somos confrontados, eu sou, com uma realidade que é cada vez mais normalizada, sem qualquer rasgo de genialidade, onde o comportamento inócuo impera. Um estilo opinativo que não cria ondas e satisfaz. São as tais opiniões equilibristas que tem como finalidade não melindrar e deixar contente ou satisfeita toda a gente. Fica no ar a ideia de que o objectivo é ter direito a uma parte do bolo, independentemente se é uma migalha ou uma fatia bem mais robusta. Mas quem não gosta de participar numa festa?
Se do lado de lá (o do profissional, no sentido lato), até aceito e compreendo alguma contenção, pois a teia de interesses (sem qualquer sentido pejorativo) é grande, nunca compreendi, ao fim destes anos todos, que do lado de cá (o do consumidor blogueiro ou não) se evite sistematicamente dar uma opinião mais assertiva. Muitas vezes, bastaria um simples não gosto ou não concordo ou ainda acho que não é bem assim para animar a coisa. Será assim tudo tão bonito? Nunca consegui compreender. Mas como se costuma dizer, quem está mal que se mude.

terça-feira, março 21, 2017

Excessivo?

Existem vinhos que são, ou deviam ser, incontornáveis e obrigatórios pelas mais diversas razões. Vinhos que possuem uma dimensão ímpar, impossível de ser caracterizada. São por isso, vinhos de contemplação, para serem bebidos com preceito e não esvaziados de conteúdo por via de meia dúzia de palavras pré-feitas e previsíveis que desembocam em análises ambíguas. São, acima de tudo, exemplos de excelência, que roçam aquela dúbia noção que é a perfeição. Contemplemos, por isso, sem fazer muito barulho. Silêncio, por favor.



Resumindo a coisa, não há muito mais a dizer, são dois vinhos que merecem estar naquele pequeno espaço que é o vértice da pirâmide. Lugar destinado só aos melhores entre os melhores. Nos melhores do Dão e nos melhores Portugal. Excessivo? É possível, mas que se lixe.

segunda-feira, março 20, 2017

Além da Revista de Vinhos: A Falta de Alternativas!

Na continuação do que já sabemos sobre as mudanças na RV (Revista de Vinhos) e em jeito de balanço pessoal, noto que ao fim destes anos não houve a capacidade para criar qualquer coisa à séria, nos moldes que quisermos, online ou papel, com a força e o engenho para ser efectivamente um contrapoder. Uma verdadeira alternativa ao domínio avassalador da RV. Uns poderão ficar contentes, é normal, outros nem tanto. Uma das razões poderá estar relacionada com a dificuldade do mercado em absorver e sustentar vários projectos, dando-lhes verdadeiro significado e importância. Dito de outra forma, o número de potenciais leitores é, creio, um nicho dentro de um nicho. E os patrocinadores não são ilimitados. É um nichozinho, onde um conjunto indivíduos circula nos mesmos espaços, quase em circuito fechado. Sejamos francos, a maior parte da malta, vulgo consumidores, não quer saber disto. Os interessados estão no outro lado: profissionais do vinho (produtores, enólogos, distribuição, agências de comunicação ...).


A falta de outras opções válidas no meio editorial, tem sido umas das maiores lacunas na crítica de vinhos em PT. O que surge, na minha opinião, corrijam-me se estiver errado, não é mais, na maioria dos casos, que uma reprodução do que a RV faz ou fazia, com todos os seus defeitos e virtudes.
As alternativas carecem, na maior parte das vezes, de artigos e reportagens assertivas e reflexivas, que espicacem o leitor interessado ou o industrial do vinho (no sentido lato). Carecem de inovação (não me venham falar de imagem). Acabam, infelizmente, por enredar-se num modelo que não é o deles. Na sua maioria emitem opiniões equilibristas, fracas de conduto, que têm como intuito cativar, indo cair muitas vezes na avaliação alta. Tentam credibilizar-se, parece-me, através da atribuição de prémios. Nada contra, até entendo, mas parece-me muito pouco para quem ambiciona posicionar-se como real alternativa. Quem fica a perder é a pluralidade. Coisa de menor monta. Mas provem-me que estou completamente enganado.

sexta-feira, março 17, 2017

São coisas minhas!

Este é um momento só meu. A foto é simbólica, íntima. Para vocês será apenas uma foto mal tirada, com meia dúzia de apetrechos sem qualquer ligação entre eles.


Ao rever algumas memórias, fixei-me nesta foto e embrulhei-me no meio de um redemoinho de sentimentos contraditórios. Nesta mesa, em seu redor, estiveram sentados os poucos que ainda restam e os que vieram ocupar o lugar daqueles que já não estão presentes. Aqueles que se foram embora sem autorização. Percebi que ainda estou profundamente zangado com eles. Foram-se embora, sem dizer adeus, sem pedirem desculpas por irem mais cedo. Foi uma enorme falta de educação. Fiquem bem, o blogue regressa para a semana.

quarta-feira, março 15, 2017

Quinta do Piloto: Sim, gostei!

Não vou repetir o que penso sobre a PS (Península de Setúbal). Seria penoso e provavelmente incompreendido. Como sabem não tenho o hábito de meter debaixo do tapete aquilo que não gosto ou sequer ficar aziado com quem não concorda comigo. Não se pode gostar de tudo, não se pode concordar com tudo. Um pouco como as relações entre as pessoas. São regras da vida. Perde-se, ganha-se. No final, pouco conta para a equação o que achamos e o que pensamos. Se sou ligeiro a apontar o dedo quando não gosto, também gosto de realçar quando acontece o contrário (mesmo quando não estaria à espera), como é o caso.



Gostei do vinho. Gostei francamente do vinho. Pareceu-me ser um vinho que tenta ser algo, não sei definir, diferente do registo normativo da região. Numa linha, fiquei com a sensação, mais dura, mais masculina, pouco dada a nuances exóticas o que, devo dizer, só lhe fica (muito) bem. Digamos que não é um vinho exuberante, levando-me a pensar que provavelmente não será um vinho lá muito consensual (desconfiarei de quem me diga o contrário). Apreciei a sua forma algo sisuda, pouco expansiva que ia mostrando ao longo dos momentos que foi sendo bebido.  E, mais uma vez, ainda bem. A repetir, decididamente.

segunda-feira, março 13, 2017

Livra! Também isto?

Quando estes vinhos e quejandos iguais começam a usar a expressão vinhas velhas, apetece-me pedir para que não metam nos vossos rótulos tal indicação. Começa a ficar demasiado banal, vulgarizado, corriqueiro. Começa a saturar. Não metam. É quase uma afronta às vinhas que são mesmo velhas ou às vinhas que são mesmo especiais.


Epá, comecem a usar outras referências como vinhas imberbes, infantis, vinhas adolescentes, vinhas da puberdade, vinhas de meia idade, vinhas idosas ou vinhas do outro mundo. Só para contrariar. Puxem pela imaginação, para serem diferentes, mas não exagerem muito. Já há muita vinha, reserva ou colheita especial.
De um momento para o outro surgiram uma porrada de vinhos que são de vinhas velhas. E eu que pensava que as vinhas velhas eram qualquer coisa que estava em vias de extinção, a rarear. Algo quase holográfico. Como sempre, estava enganado.


Começo a achar que existe rótulo a mais para tão poucas vinhas velhas e similares. Até fotos com velhinhos a pousarem junto a uma qualquer cepa de idade avançada surgem com assiduidade. Verdadeiros milagres da multiplicação. Faz lembrar o que se dizia sobre a touriga nacional. Pouca Touriga para tanto vinho. Apetece dizer que basta estar no rótulo vinha x que a malta compra.